Vocacional Oblata: Março 2017

sexta-feira, 24 de março de 2017

Mês da Mulher - Vitórias e Conquistas- Entrevista com Ir. Pilar Laria


Os Projetos de missão do Instituto das Irmãs Oblatas do Santíssimo Redentor lutam pelo fortalecimento e reconhecimento da mulher na sociedade. E neste mês da mulher, entrevistamos Irmã Pilar Laria, representante da Unidade Oblata de Belo Horizonte, que nos conta como acontece o trabalho de conscientização das mulheres atendidas.

Como é processo que as mulheres vivem dentro dos projetos?
R: O processo que as mulheres vivem é muito diversificado.
Em cada estado onde temos projetos há diferenças de como se vive e se exerce a prostituição.
E esse processo depende de cada uma e de cada história em que viveram e vivem.
Acompanhadas no dia a dia, e tendo a liberdade de expressar seus sentimentos e histórias de vida, as mulheres vão reconhecendo sua maneira de ser, e se percebe o crescimento, pois começam a ter atitudes de autoestima e reconhecimento que são mulheres cidadãs, dignas de respeito. Este processo é lento e demorado, devendo ter muita paciência nessa caminhada do reconhecimento que são protagonistas de suas histórias. 

Como é o processo da Conscientização e descoberta de que as mulheres são cidadãs, que têm seus direitos e deveres?
R: Por meio da aproximação, da acolhida... Um dia após o outro, colocando para elas os seus valores que têm como mulheres, sendo cidadãs iguais a todas, que tem seus direitos e deveres, e também incentivando elas a frequentarem a pastoral, onde tem seus tempos de formação e aos poucos vão se conscientizando e adquirindo uma autonomia de si mesmas.

Como elas vêem a importância do dia 08 de março?
R: Em todos os projetos às mulheres se unem a outros grupos, participam de ações, demostrando igualdade e luta. Para isso, incentivamos para que corram atrás de seus direitos de trabalho, de cidadania, vivendo uma igualdade na sociedade.

E para a Senhora como mulher, Irmã Oblata e integrante da unidade de Belo Horizonte, qual é seu sentimento e opinião sobre este processo na vida das mulheres atendidas?
Eu como mulher me sinto unida a outras mulheres, tendo os mesmos direitos e deveres.  Como Irmã Oblata busco ajudar as mulheres em situação de prostituição no que eu puder, exercendo a missão e vivendo intensamente meu carisma Oblata.
Dois pontos fortes que não poderia deixar de lado, são a nossa espiritualidade e a missão. Toda Oblata deve ter em mente esse seguimento do Cristo Redentor. Por isso quero que as mulheres tenham vida e vida em abundancia! Fico feliz quando vejo que estão fazendo uma caminhada, e retomando suas vidas.


terça-feira, 21 de março de 2017

Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial.

A mulher negra e o duplo processo de exclusão

Quando falamos em papéis sociais, nos deparamos com uma questão crucial, que são as relações de poder. Neste âmbito, percebe-se que ao longo da história a mulher esteve desfavorecida e julgada em condição de inferioridade em relação aos homens, não sendo assimilada como sujeito/pessoa a ascender socialmente, economicamente e politicamente. Este contexto foi sendo construído e sustentado, levando as pessoas do sexo feminino a tornarem-se parte de um gênero subordinado. Neste sentido, a exclusão da mulher nas diversas dimensões da sociedade foi sendo dada como natural.

Quando falamos da mulher negra, encontramos um duplo processo de exclusão, que passa não somente pelas questões de gênero, como também pelo preconceito e discriminação racial. “O preconceito e o racismo são atitudes e modos como se veem certos grupos sociais. Quando ocorre o preconceito racial, a pessoa enxerga nos outros, características que lhe desaprovam porque têm como parâmetro as características do grupo social em que está acomodada. O racismo também é uma atitude que, do olhar do racista, adota uma postura contrária a certas pessoas pelos seus traços físicos, levando em comparação o padrão do seu próprio grupo social. Já a discriminação racial é a manifestação dessas atitudes preconceituosas e racistas [1]”. Isto é, quando o preconceituoso ou racista expõe seus pensamentos e pode vir a prejudicar alguém, é que ocorre a discriminação.

Portanto, podemos dizer que para a mulher negra, o processo de enfrentamento é ainda maior, pois para vencer as desigualdades de gênero, dadas como barreiras naturais da sociedade enquanto feminino terá de vencer o preconceito, o racismo e a discriminação. Ao longo da história, a mulher negra no Brasil tem enfrentado a conjugação das questões de gênero e raciais. O modelo de produção capitalista adotado traz em si marcas do modelo escravagista que afetam diretamente as mulheres, já que perpetua desigualdade e exclusões em seus meios. Nas últimas décadas as mulheres têm se fortalecido e vem conquistando espaço em diversas esferas sociais. Atualmente são parte relevante da população economicamente ativa, sendo incorporadas ao seu desenvolvimento e reconhecimento outras formas de exploração, que diz respeito a um sistema acumulativo de funções.  Este fator se torna ainda mais complexo quando se trata de mulheres negras, que levam os reflexos de um sistema político  escravocrata.

De todo modo, a mulher vem percorrendo a história sendo exemplo de superação e perseverança. Cada conquista veio por meio de sua inteligência em argumentar e na demonstração de suas capacidades, mas claro, após muita luta. E esta ainda continua...

“Ao pensarmos a situação da mulher negra no Brasil atual, temos que levar em consideração  que em uma sociedade democrática, o respeito às diferenças de raça, etnia, gênero, orientação sexual, aparência física não é abandonar cada seguimento à sua própria sorte, mas questionar as relações de poder que hierarquizam as diferentes posições [2].

Artigo de Fernanda Soares
Fonte: Jornal da Pastoral da mulher - BH/MG

1- Artigo: A questão racial no Brasil e as relações de gênero: um estudo do reflexo das desigualdades sociais, politicas e econômicas no cotidiano da mulher negra - Fernanda da Silva Lima (UFSC), Louvani de Fátima Sebastião da Silva (UNESC)

2-Artigo: Mulheres negras: reflexões sobre identidade e resistência - Rosângela Rosa Praxedes.

domingo, 12 de março de 2017

Mês da Mulher - Vitórias e conquistas - Superção

Neste mês onde celebramos o Dia Internacional da Mulher queremos apresentar as vitórias conquistas e superações de mulheres que são atendidas em nossas unidades. 

Vamos conhecer a história de Lilian que fazia programas nos hotéis da zona boemia de Belo Horizonte e conheceu a Pastoral da Mulher de BH (Projeto Oblata Diálogos pela liberdade) participando de um curso de pintura, o que a levou a uma grande mudança de vida. Confira o relato:

“Troquei a bebida pela pintura”

O começo
Fui à Pastoral e me interessei pelo curso de pintura. A Ir. Leonira foi quem me ensinou e me apoiou no início. Naquela época bebia muito, e aí comecei parar de beber para poder comprar material de pintura. Nisso todo mundo viu que eu tinha talento e fiz outros cursos até interessar-me pelas bolsas. Aos poucos conseguimos montar o grupo Começar de Novo, inicialmente com 5 pessoas, infelizmente as outras não prosseguiram e só eu continuei.

A descoberta das próprias potencialidades
Foi uma surpresa para mim, porque não pensava que seria capaz de conseguir isso, mas eu acabei me apaixonando pelo tecido, pela bolsa, pelo fato de viver outra vida, e fui vendo o que dava certo. Eu vendia outras coisas, fiz panos de prato, porta pão, e descobri que a bolsa dava dinheiro. Comprovei que outras pessoas valorizavam o que fazia. Foi a realização de um sonho.

O início do empreendimento
Foi crescente, eu comecei com pouquinho. Fui à feira da Av Bernardo Monteiro, onde o primeiro que vendi foi um porta pão. Por incrível que pareça, eu nunca fiquei sem vender nada, toda vez que eu ia eu vendia alguma coisa, e hoje eu já vendo no mínimo 5 ou 6 peças em cada feira. Hoje, eu já tiro meu salário da venda dos meus produtos, a venda mais fraca, eu tirei R$ 2.000,00.

A maior satisfação
Criar, fazer algo com as próprias mãos e isso ser valorizada e reconhecida, é um prêmio. A gente correu uma corrida muito longa e cansativa, teve muitas dificuldades, mas agora quando vejo alguém usando minhas bolsas, é uma medalha, não apenas pelo valor financeiro, mas, sobretudo pela satisfação de ver uma pessoa elogiando, achando bonito algo criado por mim. E a satisfação de ver como isso se multiplica quando a pessoa que recebeu de presente, vai lá na feira para comprar outras bolsas e dar de presente para outras pessoas.

Um sonho
Montar uma equipe de produção para a gente exportar, montar uma fábrica, mas não uma fábrica tradicional, mas uma fábrica de economia solidária onde todo mundo trabalha, todo mundo é patrão, todo mundo é companheiro. Em realidade este é meu segundo sonho, porque o primeiro já foi realizado.

Conselhos
Não desistir no 1° obstáculo; não desanimar nunca; lutar sempre; ouvir muito o conselho de outras pessoas(no meu caso o conselho da Pastoral) e depois trabalhar. O segredo é trabalhar.


Texto fornecido pelo Projeto Oblata Diálogos pela liberdade.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Celebrando o 8 de março – Vitórias e Conquistas das mulheres

Os Direitos humanos das Mulheres

Falar de direitos humanos das mulheres é falar de uma gama de violações e situações da condição feminina no mundo atual, é falar da violência a que estão expostas em casa, na rua, no trabalho. Implica olhar o fenômeno como uma consequência lógica da ausência de direitos no plano econômico (trabalho igual x salário desigual), político e social, sem se esquecer de se reportar às privações vividas no lar. Significa dizer que as mulheres além de serem objetos de violações pela sua condição de sexo feminino, também são privadas dos direitos básicos - acesso à educação, à saúde, à garantia no mercado de trabalho, à participação na política. As mulheres, ao longo dos anos, conquistaram um espaço maior na sociedade, porém, ainda travam certas lutas para conquistar, de fato, um espaço considerável.

Os 12 direitos conquistados pelas mulheres, de acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas) na Conferência de Direitos Humanos de 1993, em Viena, são:




Mesmo com as leis civis, constitucionais e trabalhistas estarem voltadas para a proteção dos direitos da mulher, vemos que apesar de todo aparato legal, a mulher ainda não têm os seus direitos plenamente respeitados em muitos lugares do mundo. 

É claro que grandes e valiosas vitórias foram conquistadas, e atualmente com a colaboração das mídias e grupos que trabalham pelos direitos das mulheres, as mesmas reconhecem seu potencial e seus direitos, quebrando barreiras, conceitos e preconceitos. E cada um/ uma de nós como membro da sociedade temos que nos engajar, pois esta luta é todas as pessoas que desejam uma sociedade justa, livre e igualitária.

Texto com adaptações.
Fonte:Jornal da Pastoral da Mulher.