Vocacional Oblata: Junho 2016

quarta-feira, 29 de junho de 2016

O martírio cristão - São Pedro e São Paulo

A celebração do martírio de São Pedro e São Paulo no dia 29 de junho é de origem antiquíssima. De acordo com a Depositio Martyrium - importante documento com uma lista dos mártires celebrados em Roma e nos lugares circunvizinhos -, a referida solenidade já era atestada neste dia e mês no ano de 258. Santo Agostinho, no quinto século, nos fala sobre essa celebração: "Num só dia celebramos o martírio dos dois apóstolos; na realidade, os dois eram como um só. Embora tenham sido martirizados em dias diferentes, deram o mesmo testemunho: Pedro foi à frente, Paulo o seguiu. Celebramos o dia festivo consagrado para nós pelo sangue dos apóstolos".

O catecismo da Igreja  Católica apresenta o martírio como "o supremo testemunho prestado à verdade da fé, designa um testemunho que vai até a morte" (CIC 2473). Os primeiros séculos do cristianismo (do século 1 ao 4) são marcados por esse ato testemunhal até a morte  de tantos homens e mulheres em diversas cidades do mundo de então. Diante da possibilidade da apostasia - o abandono da fé cristã - e da idolatria - prestar culto ao imperador 0, os primeiros cristãos se entregavam à morte pela fidelidade aos preceitos do Senhor.

A comunidade cristã percebeu no mártir um cristão completamente inserido no ministério pascal de Cristo. Como Cristo venceu o mundo, o mártir unindo a Ele consegue vencer as forças do pecado e do mal. Por isso, desde cedo, se começou a celebrar o dia da morte daquele que foi fiel no testemunho do Senhor. Essa celebração, adornada de salmos e de cânticos de louvor, era caracterizada por um tom festivo e vitorioso. Ao se reunir para recordar a entrega da vida do mártir, a Igreja pede a força do Espírito Santo para manter-se fiel nas dificuldades próprias do seu tempo. O culto aos mártires é um reconhecimento da ação do Espirito do Ressuscitado, que sustenta a fraqueza humana e dá coragem para o testemunho de Cristo no mundo (cf. Prefácio dos mártires).

Atualmente, ainda, tantos cristãos são pressionados a abandonar a sua fé ou são constrangidos a viver numa situação de limitação  cultural e social. De quando em vez, sabemos de inúmeros casos de irmãos na fé que entregaram a sua vida por serem  fiéis aos mandamentos de Cristo diante de sistemas religiosos e sociais injustos. Embora o mundo seja, muitas vezes, hostil ao cristianismo, a Igreja é chamada a trilhar pela via do amor, da misericórdia, do serviço e do perdão. Dessa forma, a comunidade eclesial poderá com Jesus exclamar: "Eu venci o mundo!" (cf Jo 16,33).

Celebrar a Solenidade de São Pedro e São Paulo é reconhecer os pilares da Igreja apostólica. Na história desses dois apóstolos está a reprodução da vida de seu mestre Jesus. Eles viveram a radicalidade do seguimento não antepondo nada ao amor. Ambos, segundo a tradição, entregaram sua vida na cidade de Roma sob a perseguição do imperador romano Nero. Pedro teria sido crucificado de ponta cabeça entre os anos de 64-67 e Paulo, poer sua vez, degolado entre os anos de 65-68. O lugar da morte dos referidos apóstolos foi se tornando um centro de peregrinação de cristãos do mundo  todo. As duas basílicas - de São Pedro e de São Paulo - atestam para a Igreja de todos os tempos a necessidade de se manter firme diante das dificuldades no anúncio e na vivencia do mandamento da caridade.

Texto: Jornal Testemunho de Fé




segunda-feira, 27 de junho de 2016

Icone de Perpetuo Socorro

Hoje, no dia de Nossa Senhora do perpétuo Socorro, vamos conhecer a origem e a riqueza simbólica do Ícone. Acompanhe no vídeo abaixo feito pelos Redentoristas. 


domingo, 26 de junho de 2016

Reflexão do Evangelho (Lc 9,51-62)

Ser livre para seguir a Jesus

O texto situa o exato momento em que Jesus toma a firme resolução de ir a Jerusalém. Inicia-se o “êxodo” de Jesus, cujo principal objetivo é educar seus discípulos, abrindo-lhes os olhos a respeito das condições e consequências do seu seguimento. No texto do domingo passado (9,18-24), os discípulos, por meio de Pedro, haviam declarado a Jesus que ele era o “Messias de Deus”. Não sabiam, porém, o verdadeiro significado dessas palavras. A concepção triunfalista de messianismo predominava em sua mente. Isso já ficou evidente pelo tipo de discussão que tiveram logo depois da confissão de Pedro: quem deles seria o maior? (cf. 9,46-48). Fica evidente também pela atitude de Tiago e João diante da hostilidade dos samaritanos. Estes são inimigos ferrenhos dos judeus. Certamente os dois mensageiros que Jesus havia enviado à sua frente deviam ter preparado os ânimos dos samaritanos. Mas parece que fracassaram. O que disseram e como fizeram? O fato é que sua missão não foi eficaz... Jesus repreende a Tiago e João e dirige-se para outro lugar (cf. Lc 9,51-56).

No caminho são descritas três espécies de vocações. Nelas os discípulos devem reconhecer-se. Em cada uma delas, Jesus define quais devem ser as verdadeiras atitudes dos seus seguidores e seguidoras. O texto é elaborado de tal modo que situa no centro um chamado feito diretamente por Jesus. A primeira e a terceira personagens desejam seguir a Jesus por iniciativa própria. As três são personagens sem nome e, portanto, representativas de todas as pessoas discípulas de Jesus. Lucas quer enfatizar as exigentes condições para o seguimento.

A primeira demonstra disposição incomum: “Eu te seguirei para onde quer que tu fores”. A expressão faz lembrar as palavras de Pedro um pouco antes de negar Jesus: “Senhor, estou pronto a ir contigo à prisão e à morte” (22,33). A resposta de Jesus à primeira personagem alerta para a necessidade de ruptura com as seguranças e confortos que impedem a prontidão permanente. As “tocas” e os “ninhos” estão ligados à acomodação do poder em suas instituições. Neste sentido, não é por acaso que Jesus vai chamar Herodes de “raposa” (13,32)...

A terceira personagem também se oferece espontaneamente para seguir a Jesus, com a condição de despedir-se primeiro do pessoal de sua casa. A expressão grega denota o sentido de desvencilhar-se de uma incumbência. A personagem demonstra indecisão, própria de quem tem dificuldades de desapegar-se dos seus negócios e de quem ainda está amarrado a laços afetivos prejudiciais à liberdade e à autonomia necessárias para responder ao chamado divino.

A personagem central é convidada por Jesus. Está, porém, ligada às tradições paternas. Jesus pede-lhe que deixe o passado para entrar na nova dinâmica do reino de Deus. Lembra a dificuldade manifestada pelos discípulos de desatrelar-se da ideologia judaica. Os três tipos de vocações sintetizam as atitudes que devem caracterizar o verdadeiro discipulado. A liberdade deve ser radical para que a opção pelo Reino seja feita com inteireza.


Celso Loraschi
Fonte: Revista Vida Pastoral

sábado, 25 de junho de 2016

Mãe Maria, passa na frente

Minha mãe olha sempre por mim
Guia meus passos para Jesus,
Quero andar nos caminhos de Deus.

Maria, Maria
Maria, passa na frente!
Maria, passa na frente!

Quem é esta mulher? (Quem é esta mulher?)
Quem é esta mulher?
Que avança como aurora,
Brilhante como o sol,
Formosa como a lua.
Temivel como exército
Em ordem de batalha

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Natividade de João Batista

Celebrar João, ainda menino, é uma dessas coisas que não se explica, apenas se vive com coração cheio de devoção.

O mastro, alto e imponente, marcava sempre o centro da quermesse na pequena cidade do interior. Três lados, o apóstolo Pedro, barbas brancas e olhar mais sisudo; Antônio, o santo português com seus lírios brancos e no terceiro quadrante, um menininho de cabelos encaracolados, com um cordeirinho nas mãos - João Batista! Eu achava estranho aquela representação, afinal na Bíblia Sagrada, João aparece somente idoso, já como eremita pregador do deserto, comendo gafanhotos e mel silvestre. Demorou muito para que eu compreendesse, que na história de nossa salvação, muita coisa está ligada a tradição, e celebrar João, ainda menino, é uma dessas coisas que não se explica, apenas se vive com coração cheio de devoção. 

João menino, de cabelos em caracol, é uma inspiração que ilustra as palavras do canto de Zacarias, chamado “Benedictus”, já que este hino profético começa com essas palavras – “Bendito seja o Senhor Deus de Israel”. Nesse texto bíblico, Zacarias, pai de João, o chama de menino, aquele que será profeta do Altíssimo, será o precursor dos caminhos de Jesus. A palavra “menino”, nesse caso, acabou sendo motivo para que João também recebesse, da iconografia católica, um rostinho juvenil. E o cordeirinho? Oras, o cordeiro é o símbolo do Filho de Deus, aquele que se apresentou como oferta de amor para tirar os pecados do mundo. Foi João Batista quem indicou Jesus o chamando de Cordeiro (Jo 1,29). 

E onde entra a Natividade (nascimento) de João Batista nessa história? Porque comemorar a data do 24 de junho? Dentre todos os santos da Igreja, somente João tem a honra e distinção de ter seu natalício celebrado – exatamente seis meses antes do nascimento de Jesus, de acordo com a tradição bíblica. Assim, se Jesus nasceu na noite de 24 de dezembro (segundo a tradição), voltamos seis meses e estaremos aqui, em junho, recordando o aniversário de João Batista. Essa honra João a recebeu por causa de sua relevância bíblica, e de sua presença intensa na história da salvação – lembremos que foi o profeta João quem batizou Jesus nas águas do Rio Jordão. Não temos como falar de Jesus sem passar, em algumas páginas, pela vida de João Batista! 

Para os mais curiosos, uma informação de ordem astronômica: você já ouviu falar que a noite de São João é a mais longa do ano? Isso é mesmo verdade, pois próximo desse dia celebramos o solstício de verão, ou seja, o sol está na posição mais distante da linha do equador; o contrário acontece no solstício de inverno, que ocorre próximo ao dia 25 de dezembro, e marca o dia mais longo do ano. (isso considerando o hemisfério norte da Terra, de onde vem nossas tradições cristãs). 

Simbolicamente funciona assim: João é a passagem da noite do pecado, que marcou a humanidade, para o nascimento do Sol da Justiça, Jesus Cristo, que nasceu com a luminosidade absoluta a vida nova para todos nós. 

O mais importante: celebrar o aniversário de São João, com muita oração, alegria, festa e, se fizer um friozinho bom, vale um quentão e um delicioso bolo de milho para acompanhar!

Pe. Evaldo César de Souza, C.Ss.R. 
Fonte: A12.com

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Os enfermos nos evangelizam

É muito frequente ouvirmos dos agentes de Pastoral da Saúde que, na missão de visitar os doentes, vivendo a solidariedade no mundo do sofrimento, eles "mais recebem e aprendem" do que oferecem algo. A verdade maior, porém, é que os doentes nos evangelizam. Os bispos da América Latina, no famoso encontro de Aparecida em 2007, afirmam que "os doentes são as verdadeiras catedrais do encontro com o Senhor" (nº 417).

A seguinte oração foi feita por Kirk Kilgour, jogador de voleibol, que, depois de um acidente que o colocou em uma cadeira de rodas, resume o processo de transformação pelo qual passou: 

"Pedi a Deus para ser forte a fim de executar projetos grandiosos, e Ele me fez fraco para conservar-me humilde. Pedi a Deus que me desse saúde para realizar grandes coisas, e ele deu-me a doença para compreendê-lo melhor. Pedi a Deus a riqueza para tudo possuir, e Ele deixou-me pobre para não ser egoísta. Pedi a Deus poder para que os homens precisassem de mim, e Ele me fez humilde para que eu Dele precisasse. Pedi a Deus tudo para gozar a vida, e ele me deu a vida para gozar de tudo.  Senhor, não recebi nada do que pedi, mas me deste tudo de que precisava. E, contra a minha vontade, as preces que fiz não foram ouvidas. Louvado sejas, ó meu Deus! Entre todos os homens, ninguém tem mais do que eu!"

Pe. Leo Pessini, Camiliano
Fonte: Revista Mensageiro do Coração de Jesus.

domingo, 19 de junho de 2016

Reflexão do Evangelho (Lc 9,18-24)

Que tipo de Messias é Jesus?

A compreensão do messianismo de Jesus por parte de seus discípulos foi acontecendo lentamente. Imersos na ideologia religiosa do Templo, esperavam um Messias com poder de monarca, da linhagem de Davi, capaz de libertar o povo da dominação romana.

Portanto, se essa era a mentalidade dominante a respeito do Messias, ela deveria causar grandes problemas para os políticos da época. De fato, vários líderes messiânicos foram simplesmente exterminados antes de Jesus. Nenhuma das respostas dadas a Jesus sobre o que as multidões diziam a seu respeito contempla a ideia de Messias. Lucas reserva essa concepção para Pedro, o representante dos discípulos: “Tu és o Messias de Deus”.

Imediatamente Jesus os proíbe severamente de espalhar essa afirmação para outras pessoas. Ele conhece os seus seguidores e sabe que estão ainda fanatizados pela ideologia dominante. Podem dar azo ao seu fanatismo e comprometer a missão de Jesus. Eles sabem que Jesus é o Messias, mas ainda não compreendem que tipo de Messias é Jesus.

Segundo Lucas, Jesus vai dedicar uma caminhada inteira (novo êxodo), da Galileia a Jerusalém, ao empenho especial de educar os discípulos na verdadeira compreensão do Messias. O início dessa caminhada se dá em 9,51, quando Jesus “toma a firme decisão de partir para Jerusalém”. Antes disso, ele faz dois anúncios de sua paixão e morte. No primeiro, logo após a declaração teórica, por parte dos discípulos, de que ele é o Messias: “É necessário que o Filho do homem sofra muito, seja rejeitado pelos anciãos, pelos chefes dos sacerdotes e escribas, seja morto e ressuscite ao terceiro dia” (9,22). No segundo anúncio (9,44-45), Jesus prepara os discípulos para o destino do Messias, alertando-os: “Abram bem os ouvidos... O Filho do homem será entregue às mãos dos homens”. O terceiro anúncio (18,31-34), Jesus o fará em plena caminhada, próximo a Jerusalém: “De fato, ele será entregue aos gentios, escarnecido, ultrajado, coberto de escarros, depois de açoitá-lo, eles o matarão...”. Apesar da tríplice insistência, os discípulos “não entenderam nada”. 

A cruz e a morte estão intimamente ligadas ao messianismo de Jesus. A concepção triunfalista cai por terra: “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz cada dia e siga-me”. A escolha de Jesus é o caminho do “servo sofredor”, inspirado no Segundo Isaías (Is 40-55). Decorre daí que o seguimento de Jesus se concretiza por meio de rupturas e opções: rupturas com toda forma de egoísmo e poder, com toda preocupação de buscar o brilho próprio dos que dominam; opções pelo serviço humilde e abnegado em vista de uma sociedade de amor, de justiça e de paz. De fato, Jesus não anuncia a sua morte como fato definitivo. A ressurreição é o destino dos que dão a vida pelo Reino. O êxodo pelo qual Jesus tem de passar, incluindo a própria morte, vai possibilitar a entrada na terra da liberdade e da vida plena, onde já não haverá egoísmo nem dominação de nenhuma espécie.

Celso Loraschi
Fonte: Revista Vida Pastoral

sábado, 18 de junho de 2016

Louvando a Mãe Maria


Quando sentimos tua presença nossa vida
o coração fica repleto de amor,
fica repleto de alegria, pois tu és nossa Maria, 
nossa mãe e mãe do nosso Salvador.

1. Mãe de coragem, mãe do sim, mãe da ternura,
 mãe intercessora de todos nós junto a Jesus, 
 mãe generosa dá-nos tua paz, tua bênção, amém;
 roga por todos nós mãe do céu, mãe da terra também.

Quando sentimos tua presença nossa vida
o coração fica repleto de amor,
fica repleto de alegria, pois tu és nossa Maria, 
nossa mãe e mãe do nosso Salvador.

2. Mãe do amor, mãe da fé ilumina nossa vida, 
mãe da esperança, ó doce, sempre Virgem Maria,
 mãe de bondade, tu és amor, misericórdia; 
ampara-nos mãe de Jesus, 
abençoa-nos Nossa Senhora.

Quando sentimos tua presença nossa vida
o coração fica repleto de amor,
fica repleto de alegria, pois tu és nossa Maria, 
nossa mãe e mãe do nosso Salvador.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Quem reza deve vencer o desânimo

O nº 2728 do Catecismo da Igreja é bonito demais para não ser lido e meditado com atenção: "Enfim, nosso combate deve enfrentar  aquilo que sentimos como nossos fracassos na oração: desânimo diante de nossa aridez, tristeza por não ter dado tudo ao Senhor, por ter 'muitos bens', decepção por não ser atendidos segundo vossa vontade própria, insulto ao nosso orgulho (o qual não aceita nossa indignidade de pecadores), alegria à gratuidade da oração etc. A conclusão é sempre a mesma: 'Para que reza?'. Para superar esses obstáculos é preciso lutar para ter a humildade, a confiança, a perseverança" (CIC, 2728).

Muitas pessoas encontram várias dificuldades diante das orações, embora as dificuldades mudem segundo o momento. O perigo mais importante se chama "desânimo", tentação que os santos suportaram também. Por exemplo, Santa Tereza de Jesus diz: "Quem se decide a tomar o caminho da oração para chegar à fonte viva, que é Cristo Jesus, deve ser decidido, forte e firme. E não deve voltar atrás por nenhum motivo, critique quem quiser. O que muito importa é prosseguir o caminho".

Quais são os obstáculos que encontramos? O fracasso, a aridez, o desânimo fazem parte da vida de quem reza. E por quê? Tenho pensado muito nesse assunto, procurando uma causa desses sentimentos. Parece-me que talvez seja porque nós tratamos Deus como se fosse banqueiro, a quem todos pedem dinheiro, sem olhar como pedem, nem a quem pedem. Assim pensamos que, quando pedimos uma graça, Ele tem de nos dar. Pedimos suma cura, ou um emprego e recebemos na hora. Na verdade, porém,  não é assim. Deus é Amor e sabe quando e como deve nos dar o que nós pedimos e se convém que nós o recebemos.

As ultimas palavras deste número do Catecismo da Igreja nos oferecem um caminho e uma orientação de como devemos rezar: com humildade, confiança e perseverança, três palavras-chave que devem nos animar. Não podemos exigir: devemos rezar confiando que Deus nos dará o que necessitamos e quando for melhor, e do jeito melhor. A oração é fonte da nossa alegria, para vermos a vida sempre como dom de Deus, mesmo quando, nossos olhos, nos parece que tudo anda mal. Depois do inverno teremos uma primavera, mas é necessário passar pelo inverno.

Frei Patricio Sciadini, OCD
Fonte Revista Mensageiro do Coração de Jesus

terça-feira, 14 de junho de 2016

A Igreja inteira é um povo sacerdotal?

Sim, como está escrito: "Dedicai-vos a um sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus por Jesus Cristo (...) Vós sois uma reça eleita, um sacerdócio real, uma nação santa, um povo de sua particular propriedade, a fim de proclamardes as primícias daquele (Cristo) que vos chamou das trevas à sua luz admirável, vós que, antes, não éreis um povo, mas agora sois o Povo de Deus" (ver 1Pd 2,5-10).

Este é o sacerdócio comum a todos os fiéis cristãos, dado pelo Batismo. Ele é a base para outra participação na missão de Cristo; é a do ministério conferido pelo sacramento da Ordem, cuja missão é servir à comunidade em nome e na pessoa de Cristo, Cabeça do Corpo, que é a Igreja.

A Ordem, por conseguinte, é o sacramento pelo qual a missão conferida por Cristo aos Apóstolos continua sendo exercida na Igreja até o fim dos tempos. É o sacramento do ministério apostólico. Paulo atesta que Timóteo recebeu este sacramento: "Não descuides o dom da graça que está em ti e que te foi conferido mediante profecia, pela imposição das mãos do presbitério" (1Tm 2,12-15). O próprio Paulo participou da ordenação de Timóteo: "Portanto, eu te exorto a reavivar o dom de Deus que há em ti pela imposição de minhas mãos" (2Tm 1,6).

O sacerdócio do Povo de Deus é a participação na graça do único e eterno Sacerdote da Nova Aliança, Jesus Cristo, nosso Senhor (ver Tm 2,5; Hb 5,10; 6,20; 7,15; 10,14). Os Bispos, Padres e Diáconos que recebem o sacramento da ordem são ordenados para servir aos batizados, fazendo sacramentalmente presente a realidade de Cristo, Cabeça da Igreja, que é o Seu Corpo (Ef 5,23). "Sacramentalmente" significa "em sinal, mas com toda a realidade" anunciada e garantida pela palavra de Deus Vivo, segundo o inaugurado por palavra e gesto de Nosso Senhor Jesus Cristo, guardado e transmitido no seio do Povo de Deus, a Igreja.

Pe. Paiva, SJ
Fonte: Revista Mensageiro do Coração de Jesus

domingo, 12 de junho de 2016

Reflexão do Evangelho (Lc 7,36-8,3)

Jesus, o rosto misericordioso de Deus

O Evangelho de Lucas aprofunda, de maneira especial, o tema da misericórdia. É o caminho que proporciona a inclusão de todas as pessoas na proposta de amor e salvação revelada em Jesus. A casa de Simão, o fariseu, serve de cenário para a mensagem a ser assimilada e jamais esquecida pelas comunidades cristãs. O fariseu convida Jesus para comer com ele, em sua casa. Casa e comida são dois elementos que apontam para o projeto de “comunhão de mesa”. As comunidades primitivas reuniam-se nas casas para atualizar a memória de Jesus, a oração, a partilha da comida e a ceia.

Sentar-se à mesma mesa representava a determinação de relacionar-se na igualdade e na fraternidade, sem discriminação de raça, sexo ou classe social, expressando as mesmas convicções religiosas. Esse projeto, porém, não foi tão tranquilo. A dificuldade maior se deu na relação entre cristãos de origem judaica e cristãos gentios. Além disso, na época da redação do Evangelho de Lucas, percebe-se forte tendência de discriminar as mulheres, abafando o seu protagonismo na animação das comunidades cristãs.

O fato de Jesus aceitar o convite do fariseu demonstra que o mestre não faz acepção de pessoas. Sente-se livre em qualquer ambiente. É portador do amor de Deus que se estende a todos, sem discriminação. Na mesa há outros convivas. Entre eles dificilmente estariam também mulheres. Decerto seriam os amigos de Simão, pertencentes ao mesmo partido farisaico. Estariam, quem sabe, também os apóstolos?

A narrativa apresenta uma mulher que aparece de repente e se coloca aos pés de Jesus. Ela é da cidade, sem nome e conhecida como pecadora. Trouxe um frasco de perfume precioso e, entre lágrimas, unge os pés de Jesus, beija-os e enxuga-os com os cabelos. Os detalhes da ação da mulher revelam profundo sentimento de amor e gratidão. Simão, diante do que está vendo, não ousa criticar abertamente a atitude de Jesus, mas, em seu coração, põe em dúvida a sua qualidade de profeta, pois está acolhendo uma pecadora.

A parábola que Jesus conta tem por finalidade desmascarar a atitude de superioridade e arrogância da parte dos que se consideravam justos diante de Deus. Tem endereço certo. A concepção farisaica de justiça divina relacionava-se com o cumprimento das leis. O perdão dos pecados e a salvação estariam condicionados pela observância legalista. Essa segurança que o sistema religioso lhe dava impedia o fariseu de entender e acolher a gratuidade do perdão e da salvação. Somente quem deve
muito, isto é, quem tem consciência profunda de seus pecados conseguirá fazer a experiência do amor sem limites de Deus.

A mulher pecadora irrompe, sem pedir permissão, naquele ambiente fechado e excludente. Sua atitude faz abrir os olhos para enxergar a presença de Jesus, o Filho de Deus, que vem trazer o perdão e a paz sem atrelamento ao sistema legalista do Templo. Na pessoa e na proposta de Jesus, a mulher se sente contemplada. É acolhida como sua discípula; pode comungar da mesma mesa da Palavra e do Pão; pode fazer parte da mesma Igreja, o Corpo de Jesus.

Não é difícil perceber que a narrativa tem uma função de denúncia da exclusão de mulheres que, com muita probabilidade, está em processo na época da redação do Evangelho, pelo final do primeiro século. O texto exerce também a função de atualização da proposta de Jesus, que inclui no seu seguimento tanto os homens – os Doze – como as mulheres: Maria Madalena, Joana, Susana e várias outras. Diz delas o que não diz dos Doze: serviam a Jesus com seus bens (cf. 8,1-3).

Celso Loraschi
Fonte: Revista Vida Pastoral

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Cuidar da dor e dos sofrimento humanos

A dor e o sofrimento humanos exigem uma intervenção urgente e, por vezes, a atuação de toda a equipe de saúde. Lembramo-nos de uma preciosa afirmação da exortação apostólica Salvifici Doloris ("Dores salvíficas"), de João Paulo II, ao afirmar que "o sofrimento humano suscita compaixão, inspira também respeito e, a seu modo, intimida. Nele, efetivamente, está contida a grandeza de um ministério específico".

Reflitamos objetivamente sobre o que São João Paulo disse: o sofrimento suscita compaixão, isto é, empatia traduzida em ação solidária, e não somente uma exclamação anestesiadora de consciência: "Que pena!", "Que dó!". A indiferença simplesmente mata a vida e também é um fator desumanizante que aumenta mais a dor e o sofrimento. O sofrimento suscita respeito. Criamos uma auréola de sacralidade em quem muito sofre. Quando uma criança nasce com problemas genéticos seríssimos, por exemplo, os cuidadores profissionais não se intimidam em dizer: "É um(a) santinho(a)!". O sofrimento igualmente nos infunde temor, medo, porque vemos nossa fragilidade e nossa mortalidade, dimensões de nossa existência humana que nem sempre gostamos de nos lembrar.

Em um contexto crescente de tecnologização, é urgente o resgate de uma visão antropológica do conjunto da pessoa humana em suas várias dimensões, ou seja, física, social, psíquica, emocional e espiritual. Além de buscar a difícil resposta à questão  do "porque" da dor ou do sofrimento, no campo das filosofias e das religiões, é preciso implementar  o cuidado solidário, que une competência técnico-científica e capacidade humana.

Em outras palavras, é necessário que "coloque o coração nas mãos". A bioética é uma ciência que está surgindo em uma hora oportuníssima, ao nos alertar e nos comprometer em meio a essa crise global. Esta é a hora certa de salvarmos o planeta e garantimos o futuro da vida.

Pe. Leo Pessini, Camiliano
Fonte: Revista Mensageiro do Coração de Jesus.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Cultivar a Esperança

A esperança é alimentada pela coragem da pessoa que quer viver e tem motivos para fazê-lo. Coragem é a grande atitude que devemos ter; dom que recebemos para sermos testemunhas cristãs. A Sagrada Escritura é alinhavada pela atitude da coragem, pois a coragem vem do coração e independe dos fatores exteriores; pois no Senhor eu encontro a minha força (cf. Is, 5,20ss) e esta será a nossa marca, a marca dos discípulos missionários de Jesus. (cf. At 4,13. 31 e 34). Temos esperança! Não se trata de uma esperança fabricada por nós mesmos para suportar e esconder dos outros a desesperança interior. Nossa esperança não é simplória, não é vaga, não é pequena, não é medrosa, não é de ontem. Nossa esperança não se limita apenas a esta vida. Se assim fosse, eu seria, então, como explicou o apostolo Paulo, o mais infeliz de todos os homens. (cf. 1Cor 15,19). Nossa esperança atravessa o vale da sombra, da morte pela mesma razão do salmista: “porque o Deus Eterno está comigo” (Sl 23,4). Sabemos que a vida eterna existe e tem um esplendor ‘que olho nenhum viu, ouvido nenhum ouviu e mente nenhuma concebeu’.

Não estamos decepcionados com o Messias. Se Ele não libertou Israel do jugo romano, se Ele não acabou com a injustiça, se Ele não eliminou a miséria, se Ele não destruiu a morte física, se Ele não implantou de forma visível o reino de Deus – é porque Ele veio para nos salvar, veio nos dar a vida e a Vida em Abundância, dando a toda criatura humana a liberdade da escravidão do pecado. Estamos com João Batista: “Eis o Cordeiro de Deus” (cf. Jo 1,36). Não um cordeiro qualquer, mas o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo derramando seu sangue para nossa salvação. Como os judeus piedosos dizem: “Embora Ele demore, esperarei diariamente pela sua chegada”.

A esperança cristã é esperança além da morte, uma esperança de vida, de complemento desta vida e não de uma outra, como se fosse uma fuga. A esperança além da morte não é tal por produzir desespero e cinismo nos confrontos dos bens presentes, mas é esperança que consente o apreciar, o agradecer, a dedicação à promoção dos bens presentes, puros na lúcida e sóbria consciência do limite (morte). Daí falarmos que a pobreza nos facilita a abrir o horizonte desde que saibamos lidar com a perda e, principalmente, se nos perdemos em Deus, como nosso marco e ponto de referencia na Vida que continua na Eternidade. A teologia contemporânea suscita um renovar de reflexão ontológica sobre temporalidade, sobre história, sobre o que é opção pelos pobres, o que é pobreza rica, principalmente nesta perspectiva de perder, de ser realmente livre, pobre de tudo, aberto para abraçar a coroa da vitória, para abraçar e encontrar a própria liberdade, a justiça, o amor e a paz. Tudo isso é a nossa grande esperança.

Cardel Don Orani Tempesta- Arcebispo do Rio de Janeiro
Fonte Jornal Testemunho de fé – Maio 2015

domingo, 5 de junho de 2016

Reflexão do Evangelho (Lc 7,11-17)

 Jesus liberta das garras da morte

O relato do episódio da ressurreição do filho da viúva de Naim encontra-se somente no Evangelho de Lucas. Tem estreita ligação com o episódio de Elias: ambos tratam da morte do filho único, cuja mãe é viúva. Os filhos únicos representam a garantia de futuro para as famílias. A situação de morte não pode deixar acomodadas as pessoas que servem a Deus.

Nos Evangelhos, os sinais de cura e libertação, em sua maior parte, são realizados por Jesus em atendimento à súplica dos necessitados. No caso da viúva de Naim, porém, é Jesus mesmo que toma a iniciativa de ir ao seu encontro. “Seus discípulos e numerosa multidão caminhavam com ele.”

Naim é uma cidade amuralhada. Do seu interior para a porta vem uma procissão, acompanhando o enterro do filho único de uma viúva. “Grande multidão da cidade estava com ela.” Duas procissões em sentido contrário encontram-se na “porta da cidade”. Jesus vê a situação em que se encontra aquela mãe e fica comovido, isto é, “ele é movido em suas entranhas”, conforme o verbo grego (splanchnizomai). É o mesmo sentimento de amor e compaixão que leva o samaritano a socorrer a pessoa espancada e abandonada à beira do caminho (10,33); é também o mesmo sentimento que leva o pai do filho pródigo a ir correndo ao seu encontro, acolhê-lo nos braços e beijá-lo (15,20).

Jesus, movido pela compaixão, dirige-se à mulher com palavras de consolação e esperança: “Não chores”. Não são palavras de meras condolências. Ele se aproxima, toca no esquife e pede que o jovem se levante. Percebe-se, aqui também, como na narrativa de Elias, alguns verbos-chave reveladores da metodologia que proporciona a transformação de uma realidade de morte.

As pessoas que testemunham o fato glorificam a Deus, reconhecem Jesus como profeta e exclamam: “Deus visitou o seu povo”. É o eco do cântico de Zacarias, que bendiz a Deus “porque visitou e redimiu o seu povo e suscitou-nos uma força de salvação” (1,68s). Não é por acaso que Lucas situa o féretro vindo da cidade, lugar onde o poder se articula e se organiza. É como um seio que, ao invés de gerar a vida, provoca a morte. Jesus, força de salvação, vem com outro projeto que faz parar essa procissão de gente sem vitalidade. Junto com a vida, também restitui ao jovem a palavra. O povo, assim, é chamado a resgatar o direito à palavra e à vida e tornar-se protagonista de uma nova sociedade.

Celso Loraschi
Fonte: Revista Vida Pastoral


sexta-feira, 3 de junho de 2016

Por um coração manso e humilde...

Alegremo-nos! no mês de junho celebramos a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus. Bendigamos o nome do Senhor, pois nosso coração se alegra n'Ele. Cantaremos um canto novo!Porque Ele fez prodígios! Sua mão e Seu braço forte e santo alcançaram-Lhe a vitória! Assim, entoando nossos hinos, queremos render graças a Deus que nos atrai com imenso amor para o Sagrado Coração de Jesus. Ele quer fazer nosso coração semelhante ao do Seu Filho. Ele nos quer dar também um coração mando e humilde.

Então, vinde em nosso auxílio Senhor! Socorrei-nos sem demora! Dai-nos olhos e ouvidos atentos à Vossa Palavra, que transfigura a nossa fé. Pois mesmo antes de a Igreja reconhecer as aparições de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque, em Paray-le-Monial, na França, esse convite já nos era feito: abrir as portas de nosso coração para acolher e deixar entrar em nossas vidas, em nossas casas e em nossas famílias a ternura do Sagrado Coração de Jesus.

Concretamente, portanto, uma de nossas primeiras atitudes deve ser o esforço de viver a Alegria do Evangelho, sobretudo no testemunho do encontro e da partilha entre nós. Pois quem sabe acolher encontrará também abrigo e repouso para seu coração e ensinará também os outros a fazer o mesmo.

Desse modo, quando celebramos o gesto da Entronização do Sagrado Coração de Jesus em nossos lares, colocando sua imagem em um lugar especial da casa. Não façamos, pois, deste momento apenas um ritual. Mas que nossa boca fale do que o coração está cheio. E que nossas palavras e nossas preces se enriqueçam de sentido, acompanhadas de gestos simples que expressem nosso desejo de manifestar a presença do Senhor que passa pelo mundo fazendo o Bem. Lembremo-nos de que o Pai trabalha sempre. Ele transforma a realidade a partir de dentro. É preciso que também façamos a mesma coisa.

A entronização do Sagrado Coração de Jesus assim vivida e compreendida é sinal de redenção de um Deus que se inclina para nós, envolve-nos de carinho e nos salva. E, mais uma vez que o Senhor está conosco, Ele mesmo se encarrega de levar nossos "Corações ao Alto!", e vamos sendo capazes de responder pouco a pouco: "nosso coração está em Deus".

No entanto, para que esteja de fato, é preciso haver sempre entre nós um lugar não só para o pobre, o estrangeiro, a viúva e o órfão, mas também para todo aquele que sofre com os efeitos do mal. Pois é necessário que o Direito e a Justiça tenham seu Trono, para que o Reino de Deus aconteça no meio de nós. E que também não estejamos mais tão (pre)ocupados com os problemas ou defeitos uns dos outros. Afinal, nossa vida passará por uma mudança interna profunda, se estivermos mais ocupados com a Lógica do Amor - Aquele que tira o pecado do mundo.

Não é só isso! A vida gerada na confiança e no amor, e entregue aos cuidados do Sagrado Coração de Jesus e também ao Imaculado Coração de Maria, abre espaços para a Paz estabelecer-se entre nós e nos provoca a caminhar na esperança. Não estamos sós! Confiamos nas promessas feitas por Jesus a Santa Margarida Maria e não desanimamos sob o peso das dificuldades. Ao encontro de um pouco de consolo e da fonte da infinita misericórdia, apenas ousemos dizer: "Senhor Jesus, manso e humilde de Coração, fazei nosso coração semelhante ao Vosso!". Amém!

André Luís de Araújo, SJ
Fonte: Revista Mensageiro do Coração de Jesus.