Vocacional Oblata: Abril 2015

quarta-feira, 29 de abril de 2015

A Origem do Dia Nacional da Mulher: A luta de Jerônima Mesquita e de outras brasileiras

O Dia Nacional da Mulher foi instituído pela Lei Nº 6.791/1980, entrando em vigor a partir da data sua publicação e revogando as disposições em contrário. Em seu Artigo 1º estabelece que deve ser comemorada anualmente no dia 30 de abril do calendário oficial, tendo como objetivo estimular a integração da mulher no processo de desenvolvimento.

Percebe-se que esta é uma data que passa despercebida para a maioria da população brasileira, entretanto, cabe destacar que foi escolhida para homenagear o dia do nascimento de Jerônima[1] Mesquita, a qual foi enfermeira voluntária da Cruz Vermelha de Paris e da Suíça na I Guerra Mundial. Em seu retorno ao Brasil participou da fundação da Cruz Vermelha nacional, organização que dava assistência aos doentes e refugiados, pequenos jornaleiros (entidade para meninos órfãos ou carentes) e da Pró-Matre (instituição para gestantes carentes).

Jerônima Mesquita
Imagem: Google
Jerônima foi fundadora da Associação das “Girl Guides” do Brasil, posteriormente sendo chamada de Federação de Bandeirantes do Brasil. Em 1919, a proposta do Movimento Bandeirante foi de promover uma educação pioneira, por refletir na importância da mulher em assumir um papel mais participativo nas mudanças sociais.

Constituiu também a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF) e no ano de 1922 foi uma das pioneiras na luta pelo avanço feminino. Em sua jornada como militante teve uma participação ativa no movimento sufragista de 1932, data marcada pela conquista feminina, após muitos anos de reivindicações e discussões ao direito de votar e serem eleitas para cargos no executivo e legislativo, aproximando da igualdade aos direitos dos homens.

   Dois anos mais tarde, em 1934, Jerônima com outras militantes: Bertha[2] Lutz e Maria Eugênia[3] publicaram o chamado “Manifesto Feminista” destinado à nação, ou seja, à população brasileira, cujo conteúdo do texto entre outras coisas, estava a luta do movimento pelo fim da injustiça e desigualdade social vivenciada pelas mulheres.

 Portanto, o Dia Nacional da Mulher (30/04) representa as lutas e conquistas não somente de Jerônima Mesquita, mas de um grupo de mulheres que tinham um olhar para além dos tempos de sua época, pessoas que se entregaram aos sonhos de um país aonde homens e mulheres, apesar de suas diferenças biológicas, teriam igualdade de direitos pertinentes às características semelhantes entre ambos.

Sites consultados:





[1] Jerônima Mesquita (1880-1972), sufragista e assistencialista.
[2]Bertha Lutz (1894-1976), bióloga, ativista feminista e política paulista (www.sohistoria.com.br/biografia/berta)

[3] Maria Eugênia Celso Carneiro de Mendonça (1886-1963), jornalista, escritora, poeta, teatróloga e sufragista (peregrinacultural.wordpress.com/2010/03/29/bolinhas-de-gude-poema-infantil-de-maria-eugenia-celso/).

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Dia da Empregada Doméstica - Conquistas e avanços ainda que tardios

O Senado Federal aprovou no dia 26 de abril de 2013, a PEC - Proposta de Emenda Constitucional nº 66/12. Esta emenda, que vem sendo chamada de "PEC das Domésticas", prevê avanços na conquista de direitos para as seguintes categorias: empregadas domésticas, cozinheiras/os, copeiras/as, jardineiras/os, motoristas, cuidadores de idosos, babás e caseiras/os. 

Falar da importância do trabalho da empregada doméstica na atualidade é por si só um avanço significativo, num contexto em que a grande maioria das profissionais sempre foram lesadas em seus direitos trabalhistas, desrespeitadas em sua condição humana e de mulher, esquecidas nos “fundos das casas” dos empregadores/as e lembradas, quando eram, unicamente nos momentos em que precisavam limpar as “sujeiras” deixadas, muitas vezes, estupidamente pelos patrões/as.

Não é raro escutar de empregadas domésticas casos em que foram assediadas por patrões e filhos de patrões. Esses, estimulados pelos valores culturais concedidos ao homem, principalmente ao homem branco, que não se contentando em ter simplesmente uma lavadeira, passadeira, cozinheira, “limpadeira” e babá em sua casa, acreditam ter o direito de tê-la também em sua cama. Segue um trecho do livro “Casa Grande & Senzala”, onde podemos perceber nitidamente a origem histórica da “abolição incompleta no Brasil”, e como se mantém as estruturas da desvalorização do trabalho doméstico. 

“Agora as escravas negras substituíam as cunhãs (índias) tanto na cozinha como na cama do senhor. A mulher escrava fazia ponte entre a senzala e o interior da casa-grande e representava o ventre gerador. As negras mais bonitas eram escolhidas pelo sinhô para serem concubinas e domésticas... A escrava adoçava a boca do senhor e recebia chicotadas à mando da senhora”.(trechos do livro Casa Grande & Senzala).
  
“Nenhuma casa-grande do tempo da escravidão quis para si a glória de conservar filhos maricas ou donzelões. (...) O que sempre se apreciou foi o menino que cedo estivesse metido com raparigas. (...) E que não tardasse a emprenhar negras, aumentando o rebanho e o capital paternos”. (trecho do livro Casa Grande e Senzala)².

Podemos comparar as citações de Gilberto Freire com relatos de trabalhadoras domésticas da atualidade:

“A experiência que eu tive como empregada doméstica foi horrível. Quantas vezes eu acordei de madrugada com o patrão em cima de mim. Só não acontecia nada por que eu sempre fui “bocuda” e falava que ia falar com meu pai”. (Anita) 

“Trabalhei no Rio de Janeiro como empregada doméstica. Era uma família muito rica. Eu era menina boba e cai nos encantos do meu patrão. Ele sempre ia no meu quarto, que era bem pequeno e mal cabia a cama e um armário. Quando eu saia do quarto já entrava na lavanderia, lembro como se fosse hoje. Engravidei e ele me deu dinheiro para desaparecer de sua casa”. (Maria Raimunda)

É nesse cenário que começa brotar as primeiras manifestações de mulheres que quebram o silêncio e falam das diversas violências vividas até então legitimadas pela sociedade brasileira, que ao nascer sob o berço de um sistema opressor, patriarcal e racista, continuam com marcas de um regime escravocrata. E essas mulheres fazem chegar aos espaços de direitos seus gritos, esperanças e anseios por uma vida mais digna através do reconhecimento social da profissão de empregada doméstica. 

Na primeira regulamentação das leis trabalhistas que aconteceu no ano de 1943, a categoria ficou fora. Segue a trajetória de lutas e conquistas das empregadas domésticas ao longo da história brasileira:
  • 1972 - Direito à carteira assinada - (Lei 5859/72), que também assegurou férias de 20 dias úteis ao ano;
  • 1988 – através da Constituição Federal também conhecida como Constituição Cidadã - direito de não receber remuneração inferior a um salário mínimo, 13° salário, descanso semanal remunerado, férias anuais remuneradas, direito a aposentadoria;
  • 2001 – Direito ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e do seguro desemprego, que não se transformou em um direito de fato, já que o recolhimento dos tributos necessários para garantir benefício ainda é opcional ao contratante;
  • 2006, a lei proibiu o empregador de descontar, do salário do trabalhador/a doméstico/a, os gastos com alimentação, vestimenta, moradia e higiene. Foram asseguradas as férias de 30 dias (após um ano de trabalho) e a garantia de não demissão, sem justa causa, após cinco meses do parto;
  • Agora, com a aprovação do PEC 66/2012, foram conquistados a jornada diária de, no máximo, oito horas (44 horas semanal), o pagamento de horas-extras (com acréscimo de 50%), além da licença-maternidade, de 120 dias, remunerada. Também foi estipulado que o salário mínimo é o piso da categoria;
Ao realizar uma análise comparativa entre a situação do trabalho doméstico no Brasil e no mundo, de acordo com OIT constatou-se o seguinte: 

Dados  mundiais
  • 52,6 milhões é o total de trabalhadores domésticos;
  • 83% são mulheres;
  • 29,9% estão excluídos da legislação laboral nacional.
  • 45% não têm direito a período de descanso semanal ou férias anuais remuneradas.
  • Em 2008, a OIT estimava em 4,7 milhões o número de crianças trabalhadoras domésticas menores de 15 anos (não há dados para 2011).
No Brasil 
  • Temos 7,2 milhões de trabalhadores (as) domésticos (as). O Brasil é o país com o maior número de trabalhadores domésticos no mundo, em números absolutos, em comparação feita com 117 países; 
  •  93,3% são mulheres (ou seja, 6,7 milhões);
  • 61,7% do total de trabalhadoras domésticas são mulheres negras.
  • A ocupação de doméstica representa 19,4% do total de ocupação feminina, o que significa que uma a cada 5 mulheres maiores de 18 anos são domésticas;
  • Apenas 32% das trabalhadoras domésticas têm carteira de trabalho assinada, somente 30,1% contribuem para a previdência social e sua remuneração é, em média, mais baixa que o salário mínimo;
  • Em 2009, havia 383 mil meninos e meninas entre 10 e 17 anos no trabalho infantil doméstico. Desses, 340 mil eram meninas e 233 mil, meninas negras.
(Fonte: OIT - Organização Internacional do Trabalho, 2011; Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - PNAD 2009, IBGE) 

De acordo com Vera Lúcia , “Atualmente, 70% das empregadas está na informalidade. Já os salários são os mais baixos de todas as ocupações predominantemente femininas: a renda mensal de uma trabalhadora doméstica é, em média, de um salário mínimo; no entanto, cerca de 1,8 milhão recebe metade disso. Considerando-se que as mulheres negras, em geral, já ganham até um terço do valor pago a um homem branco”.

E Vera Lúcia continua:
Foram “conquistas importantes, mas é preciso ir além. Por tudo isso, as mudanças na lei, constituem uma vitória da organização e luta dessas trabalhadoras. Tanto a equiparação salarial quanto os direitos são passos fundamentais para romper a lógica da escravidão e avançar na luta contra a opressão e exploração das mulheres, especialmente, das negras”

E a nossa luta continua! Lutamos por direitos e dignidade. Que novas conquistas sejam alcançadas pelas Empregadas Domésticas. E que além dos direitos específicos de cada trabalhadora/o, possamos também reivindicar educação, saúde, cultura... rumo à construção de um mundo mais justo e fraterno. Que nossos sonhos de luta pela vida não sejam sucumbidos ao longo do caminho. E que possamos dizer: AVANÇOS E CONQUISTAS AINDA QUE TARDIOS! 

Texto de Lucinete Santos - Educadora da Unidade Oblata de Belo Horizonte.

Fontes:
Casa Grande & senzala – Gilberto Freire 


sábado, 25 de abril de 2015

Maria, a primeira Cristã


Primeira cristã, Maria da luz. 
Sabias, ó Mãe, amar teu Jesus
Primeira cristã, Maria do amor, 
soubeste seguir teu Filho e Senhor

Nossa Senhora da milhões de luzes 
Que o meu povo acende pra te louvar
Iluminada, iluminadora, Ispiradora
De quem amar e andar com Jesus 
(Refrão)

Primeira cristã, Maria do lar. 
Ensinas, ó Mãe, teu jeito de amar
Primeira cristã, Maria da paz. Ensinas, 
ó Mãe, como é que Deus faz

Primeira cristã sempre a meditar. 
Vivias em Deus, sabias orar
Primeira cristã fiel a Jesus. 
Por todo o lugar, na luz e na cruz.


segunda-feira, 20 de abril de 2015

Páscoa: Nossa Vocação

Falar de vocação é necessariamente falar do amor maior, cuja possibilidade não depende apenas de nós, mas do dom do Espírito que nos é dado a partir da nossa relação com Cristo, desde o nosso batismo. Quando se trata de discernir uma vocação, a pessoa sente no mais profundo do seu ser os apelos interiores do Espirito de Cristo, a quem se uniu pelo batismo e cuja voz nos revela as exigências da santidade e os meios para a construção do Reino de Deus.

São diversos os caminhos em que os cristãos procuram realizar a universal vocação à santidade. Todos esses caminhos têm em comum a dimensão pascal da vocação cristã. A vocação à santidade é inerente à vocação cristã, é chamado para todos: “A vontade de Deus é que sejais santos” (Ts 4,3). É um compromisso que diz respeito não apenas a alguns, mas os cristãos de qualquer estado ou ordem são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade.

A dimensão pascal da vocação cristã é participação na vocação de Jesus Cristo, que encarna na sua vida as exigências do amor do Pai pela humanidade, e que sacrifica a sua vida à realização desse desígnio de amor. E continua a ser assim. Aceitar uma vocação é dar prioridade absoluta, na nossa vida, à realização do desígnio de Deus, e isso só é possível participando da felicidade de Jesus Cristo. Seguir uma vocação é deixar-se atrair por Jesus Cristo. É enamorar-se por Jesus, o Cristo realisticamente concreto da Páscoa. É segui-lo como discípulo, começando por abraçar com amor, a própria cruz. É o evangelista João quem nos apresenta cruz de Cristo como realidade que nos atrai sinal de um caminho novo, o caminho da salvação: “E quando eu for elevado da terra, atrairei todos a mim” (Jo 12,32).

Nossa vocação passa de alguma maneira, e de diferentes formas, pelo monte Calvário, onde fora crucificado o Mestre que seguimos. Na realidade, os sofrimentos e as contradições que enfrentamos na vivência de nossa vocação nos aproximam de Jesus e nos permitem aprofundar o sentido de nossa opção e suas consequências para a sociedade, para a Igreja, para o Reino. Uma vocação sem cruz está longe da radicalidade evangélica. Cada dia nos é oferecida a oportunidade de dar testemunho de Jesus Cristo e de ratificar nossa opção vocacional. Nem a cruz, nem qualquer outra dificuldade poderá nos afastar do amor de Cristo (cf. Rm 8,15).

Acreditamos profundamente que a vivencia de cada vocação comporta uma experiência pascal, de dar testemunho da ressurreição do Crucificado. Por isso, celebrar a Páscoa, para nós, é tocar com as próprias mãos o Ressuscitado. Quem nos chamou não é outro, senão ele, morto e ressuscitado, que nos confirma na vocação e nos envia à missão. Cada vocação traz, dentro de si, um rosto de Jesus e o testemunha, anuncia, torna presente.

A Páscoa é uma festa vocacional onde cada um dos chamados renova e aprofunda sua opção pelo Ressuscitado.

Nivanda Viscardi
Religiosa Filha do Divino Zelo.
Fonte: Revista Rogate- 271 – Abril de 2009

domingo, 19 de abril de 2015

19 de abril: Dia do Índio

Dia 19 de abril, dia de relembrarmos nossas raízes. Raízes essas que estão esquecidas, excluídas e marginalizadas. E os povos e descendentes  continuam sendo desrespeitados na sua própria terra.
Que este dia seja para refletirmos e tomarmos consciência de que todo cidadão brasileiro carrega em sua genética traços indígenas e afrodescendentes.


Fruto do Suor
                    Raices de América

A terra nova era um paraíso,
o milho alto e os rios puros.
Dormia o ouro a cobiça ausente,
era o índio senhor do continente.
Foram chegando os conquistadores,
os africanos e os aventureiros.
O índio altivo se mesclou ao escravo:
nascia um novo tipo americano.
O interesse fabricou carimbos.
O ódio à toa levantou paredes.
A baioneta desenhou fronteiras.
A estupidez nos separou em bandeiras.

Tenho um filho nessa terra,
foi um amor sem passaportes.
Se o gestar foi brasileiro
não me chames de estrangeiro.
Cada pedra, cada rua tem um toque de imigrantes.
Levantaram com seus sonhos 
um país que não tem donos.

O suor fecunda o solo e a semente não pergunta:
Brasileiro ou imigrante? Só o fruto é importante.
Não me sinta forasteiro.
Não me invente geografias.
Sou tua raça, sou teu povo,
sou teu irmão no dia-a-dia

Palavra do Senhor


sábado, 18 de abril de 2015

Um louvor à Mãe Maria.



Imaculada Maria de Deus, 
Coração pobre, acolhendo Jesus! 
Imaculada Maria do povo, 
Mãe dos aflitos que estão junto à cruz! 

Um coração que era Sim para a vida, 
um coração que era Sim para o irmão, 
um coração que era Sim para Deus, 
Reino de Deus renovando este chão! 

Olhos abertos pra sede do povo, 
passo bem firme que o medo desterra, 
mãos estendidas que os tronos renegam. 
Reino de Deus que renova esta terra! 

Faça-se, ó Pia, vossa plena vontade: 
que os nossos passos se tornem memória 
do Amor fiel que Maria gerou: 
Reino de Deus atuando na história! 

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Irmãs Oblatas Celebram 80 Anos de missão no Brasil

Com o coração agradecido, as Irmãs Oblatas da Província Santíssimo Redentor, integrada pelos países: Angola, Argentina, Brasil e Uruguai, foram em peregrinação ao Santuário de Aparecida para celebrar a Eucaristia em ação de graças pelos 80 anos de presença Oblata no Brasil e também pela Assembleia Provincial. Nesta ocasião, a Congregação também festeja as Bodas de Ouro das Irmãs Analita Albani (Brasil) e Visitación Zudaire (Argentina). 

A Celebração Eucarística aconteceu no dia 14 de abril as 09:00 horas da manhã no Santuário Nacional de Aparecida- SP e foi transmitida pela TV Aparecida e pelo portal A12.com. 

Clique e veja algumas fotos destes momentos:








segunda-feira, 13 de abril de 2015

Páscoa e Misericórdia

Páscoa é a ressurreição de Jesus Cristo, que venceu a morte. Páscoa é a passagem do povo de Israel do cativeiro no Egito para a liberdade. Livros e mais livros foram e ainda serão escritos sobre esta que é a principal celebração da cristandade. Entretanto, gostaria de refletir brevemente sobre a Páscoa como o grande sinal da misericórdia de Deus para com a humanidade. Um Deus que se manifesta como homem por intermédio de seu filho, Jesus Cristo, na unidade com o Espirito Santo.

Os evangelistas retratam diversos momentos em que Jesus Cristo revela a misericórdia de Deus. Misericórdia muitas vezes incompreensível para nós que vivemos em um tempo tão violento e tão marcado por relações humanas pouco profundas, e impregnadas do conceito da utilidade do ouro, e não o amor. Um tempo em que a parábola do “Filho Pródigo” (Lc 15,11-32) parece tão estranha.

A verdade é que a lógica de Cristo nos questiona! Vejamos, então, a relação de Jesus com Judas Iscariotes, retratada no capítulo 13 do evangelista João. Na última ceia, Jesus reconhece que chegou sua hora de passar deste mundo para o Pai. O evangelista afirma que “durante a ceia, o diabo já tinha posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, o projeto de trair Jesus” (v.2). No texto fica claro que Cristo sabe da traição e conhece o traidor. Mesmo assim, Jesus lava os pés dos apóstolos, inclusive os de Judas, e partilha sua última ceia com todos eles.

Por fim, “comovido!”, Jesus revela a traição, sem “crucificar” o traidor. Pelo contrário, o serve. “É aquele a quem vou dar o pedaço de pão que estou umedecendo no molho” (v. 26). E, mais à frente Jesus diz para Judas: “O que você pretende fazer, faça logo”. (v.27).

De fato, a pedagogia de Jesus é revolucionária. Outra pessoa teria denunciado o traidor e, talvez, até usado de métodos coercitivos e violentos para evitar que Judas concluísse seu plano. Porém Jesus prefere mostrar a Judas a proposta de seu Reino de amor e de serviço. Revela também sua tristeza pela traição, dando-lhe oportunidade para que ele reconheça o erro que irá cometer. Jean Yves Leloup, em seu livro “Além da luz e da sombra: sobre o viver, o morrer e o ser” (Editora Vozes), faz uma interessante reflexão sobre a justiça que precede o perdão, destacando a importância de que primeiro se expresse o sofrimento causado pela ofensa, para que depois seja oferecido o perdão; perdão este que tem poder curativo.

Infelizmente, Judas Iscariotes parece não ter entendido nada da proposta de Jesus. Preferiu dar sequencia a seu plano, que culminou com a crucificação. Entretanto, a morte de Jesus não foi uma derrota. Sua ressurreição tornou-se nossa Páscoa e a possibilidade de, reconhecendo os nossos erros e pedindo perdão, bem como perdoando ao próximo, sermos acolhidos por este Deus misericordioso.
Judas agiu como muitos de nós: não foi além da crucificação de Cristo. E, com isso, não contemplou a sua ressurreição.

Jefferson Silveira
Fonte: Revista Rogate, Seção Opinião 257 – Abril de 2007

sábado, 11 de abril de 2015

Nossa Senhora Roga por nós!

Sábado aqui no Blog Oblatas é dedicado a Nossa Senhora.
Vamos juntas e juntos, rezar e louvar a Mãe de Jesus e nossa.


terça-feira, 7 de abril de 2015

Chegada das Irmãs Oblatas em Angola

As Irmãs Oblatas  do Santíssimo Redentor chegaram ao continente Africano no ano de 1995, com a influência de Padre Jamba, um Redentorista angolano que conhecia a Congregação. Ele havia feito um convite a Superiora Geral Ir. Maria Luiza Rodrigues, e ao mesmo tempo apresentando o Carisma e missão Oblata para o Cardeal da cidade de Luanda Dom Alexandre do Nascimento, que não hesitou e pediu para que as Irmãs Oblatas do Santíssimo Redentor fossem implantar um trabalho em Angola.  
Angola vivenciava a Guerra Civil. Duas irmãs do Conselho Geral foram conhecer a realidade local e ficaram assustadas com a situação de miséria que vivia o povo, e acabaram voltando desanimadas, achando que não conseguiriam fazer a missão acontecer, mas Padre Jamba reanimou as Irmãs que decidiram abraçar a causa do povo angolano e realizar ação do Amor do Redentor naquele lugar.
Em 5 de abril do mesmo ano, as representantes Oblatas que formariam a primeira comunidade pisaram em continente Africano. As Irmãs Purificação e Pura eram de nacionalidade e residência Espanhola, Ir. Carmen era espanhola, mas morava no Brasil, e Ir. Anastácia de nacionalidade e residência  colombiana. Estas Irmãs, assim que chegaram a Angola, foram para um local, uma espécie de abrigo onde se concentravam todos os missionários e missionárias de outros países. Neste espaço permaneceram por seis meses, pois como chegavam muitos, as Irmãs passaram a morar com as Irmãs mensageiras do Amor Divino, enquanto organizavam a residência e permanecia no país. Depois de um tempo, conseguiram comprar uma casa onde seria a primeira comunidade, e esta foi adquirida no bairro Azul, praticamente no centro da Cidade e a partir daí, foi inaugurada a Comunidade de Luanda.

Passado o tempo de adaptação e instalação da comunidade e projeto, no ano de 1999 houve a saída das Irmãs Carmen e Anastácia e o convite para que Irmã Idolina Poleze de nacionalidade e residência brasileira fizesse parte da comunidade. Em 26 de setembro de 1999, ela inicia sua experiência como missionária Oblata em angola e nos conta um pouco de sua experiência:

 “Quando cheguei a Luanda, Angola ainda estava em plena guerra civil. Quando firmei residência lá, fui conhecer a realidade local e iniciei as visitas nos campos de refugiados e mutilados da guerra. Visitava também as jovens prostituídas, que dentro do contexto daquele momento, muitas delas procuravam a prostituição como meio de sobrevivência, viviam em tendas de lona e dormiam no chão, às vezes só com um pano, era uma situação desumana, pobreza e miséria total.

No ano 2000 abrimos uma nova comunidade em outra província chamada Benguela, município de Lobito, uma cidade portuária, aonde chegam os barcos e navios cargueiros vindos de outros países com alimentos e mantimentos para abastecer os mercados. Nesta cidade existe um grande número de prostituição e muitas destas mulheres que vivem da prostituição tem filhos com os estrangeiros.  
Minha experiência durou 12 anos e foi muito rica, o povo é muito acolhedor e muito bom, apesar de toda a miséria é um povo alegre, muito confiante em Deus. Mesmo estando agora no Brasil continuo amando aquele povo e mantendo contato.”



segunda-feira, 6 de abril de 2015

Cristo, Nossa Páscoa

A sexta-feira Santa foi uma experiência traumática para os apóstolos. Com a morte de seu mestre na Cruz, morriam também suas esperanças de uma vida diferente, melhor. Não só abandonaram aquele a quem haviam seguido de perto por três anos, como também nos últimos momentos da vida dele deixaram-se levar pela mentira, pela covardia e, mesmo, pela traição. As perspectivas, agora, não eram nada alentadoras: provavelmente voltariam para as suas ocupações anteriores, quando muito guardando as lembranças de um tempo que foi bom enquanto durou.

Poucos dias depois, surpreendentemente, estavam eles reunidos em comunidade. Não pareciam os mesmos; o clima dominante era de alegria e otimismo. Ao falarem de seu Mestre, não se referiam a um morto, mas a alguém que estava vivo. Mostravam-se até capazes de morrer por ele e dar a vida pela propagação de seu Evangelho.

O que aconteceu entre o momento da crucificação no Calvário e o nascimento dessa vida em comunidade? Como compreender tão rápida e profunda transformação? O que modificou o ânimo desses apóstolos para que passassem do desanimo total no entusiasmo contagiante?

Qualquer um dos apóstolos poderia responder com as palavras que Paulo escreveria mais tarde: “Cristo morreu por nossos pecados..., foi sepultado... ressuscitou ao terceiro dia...” (1Cor 15,3-4). Não há, nesse texto, a preocupação por detalhes, menos ainda o gosto pelo espetacular. Há um anúncio que passará a ser o centro de suas pregações: Cristo ressuscitou!.

Com a ressurreição de Cristo e, posteriormente, com a vinda do Espirito Santo, os apóstolos compreenderam as Escrituras. Nelas descobriram o que vários séculos antes havia sido profetizado; perceberam, também, que estavam tendo a graça e o privilégio de viver um momento especial. Não lhes era fácil, mesmo assim, acreditar em Jesus Cristo. Acreditar significava deixar-se envolver por sua pessoa e sua proposta. Mas significava também viver de sua presença-ausência. 

A história dos discípulos de Emaús era, nesse ponto, a história de cada um deles. Identificavam-se com aqueles dois discípulos que, na tarde do domingo da ressurreição, ao voltarem para a sua aldeia, percorreram um longo caminho com o Ressuscitado sem, porém, perceberem que era ele. Quando ele partiu o pão é que o reconheceram; até então seus olhos estavam demasiadamente pesados e seu coração preso ás próprias preocupações (cf. Lc 24, 13-35).

Mais tarde, também os primeiros cristãos fizeram idêntica experiência: descobriram que se pode conviver com Jesus, lado a lado, sem tomar consciência de sua presença. E, quando essa presença é notada, é possível que, repentinamente, ele “desapareça”, desejando ser procurado e encontrado em seus irmãos e irmãs.

As primeiras comunidades cristãs acreditaram que a mensagem de Cristo era verdadeira porque o Ressuscitado havia vencido a morte. Sabiam que se isso não tivesse acontecido as gerações posteriores teriam apenas uma série de pensamentos e gestos para recordar -  pensamentos e gestos que poderiam prender a atenção de curiosos e estudiosos, mas que seriam incapazes de levar as pessoas a assumirem sua causa.

“Se ressuscitares como Cristo, procurai as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus” (Cl 3,1). Cristo é nossa páscoa; é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Ele está no meio de nós, acolhe os que aceitam ser transformados por ele e nos convida a proclamar a todos: “O Senhor ressuscitou!” (Lc 24,34).

Dom Murilo S.R. Krieger, SCJ
Fonte : Revista mensageiro vol 114- abril 2008

sábado, 4 de abril de 2015

Fogo Santo traz ao mundo a força da Ressurreição!


Sábado Santo - A Dor de Maria

Neste dia, vamos acompanhar a dor de Maria, e com Ela, rezar por tantas outras marias que sofrem a dor da perda de seus filhos para o mundo das drogas e da violência que são as cruzes de hoje.


Diário De Maria
                            Adriana

Olho nos teus olhos
E em meio a tanto pranto
Parece mentira que o crucificaram
Que és o pequeno, que eu embalei
Que adormecia tão logo em meus braços
Aquele que sorria ao olhar o céu
E quando rezava ficava sério

Sobre este madeiro vejo o pequeno
Que entre os doutores falava no Templo
Que quando perguntei, respondeu com calma
Que se encarregava dos assuntos de Deus
Esse mesmo menino que está na cruz
O Rei dos homens se chama Jesus

Esse mesmo homem já não era um menino
Quando naquelas bodas lhe pedi mais vinho
Que alimentou tantas pessoas
E aos pobres e enfermos os olhou de frente
Sorriu com aqueles a quem tanto amou
E chorou em silêncio ao morrer seu amigo

Já cai a tarde, o céu fica nublado
Logo voltarás ao teu Pai eterno
Dorme pequeno, dorme meu menino
A quem eu entreguei todo meu carinho!
Como em Nazaré, naquela manhã:
"Eis aqui tua serva
Eis aqui tua escrava".

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Canto de Lavapés

Após o texto da manhã, vamos continuar nossa reflexão com esta canção.


Jesus erguendo-se da ceia
Jarro e bacia tomou
Lavou os pés dos discípulos
Este exemplo nos deixou
Aos pés de Pedro inclinou-se
Ò Mestre, não por quem és?
/: Não terás parte comigo
Se não lavar os teus pés.:/

És o Senhor, tu és o Mestre
Os meus pés não lavarás
O que ora faço não sabes
Mas depois compreenderás
Se eu vosso Mestre e Senhor
Vossos pés hoje lavei
/: Lavai os pés uns dos outros
Eis a lição que vos dei.:/

Eis como irão reconhecer-vos
Como discípulos meus
Se vos ameis uns aos outros
Disse Jesus para os seus
Dou-vos novo mandamento
Deixo ao partir nova lei
/: Que vos ameis uns aos outros
Assim como eu vos amei.:/

Ceia do Senhor: Um convite à partilha e ao serviço

Uma das celebrações mais tocantes da Semana Santa é a ceia derradeira de Jesus com seus amigos. Trata-se de um evento emblemático, no qual ele quer deixar alguns sinais fundamentais e outros ensinamentos como testemunhos. Reconhecendo a gravidade daquele momento, os discípulos ficam muito atentos para compreender o projeto do Mestre para suas vidas. Não se pode ignorar que havia uma percepção do destino de Jesus e que estas eram as últimas horas de sua vida. Ele tinha compreendido que seu amigo Judas Iscariotes, o tinha traído. Tratava-se agora de assumir seu destino e deixar seu testemunho.
Quando os discípulos se aproximam para cear, Ele deixa o primeiro recado, de forma evidente e segura. Quem quiser fazer parte do seu discipulado, deve servir, e servir com humildade. Todas as pessoas importantes quando chegavam às casas como convidados eram bem acolhidos, lavando-se lhes os pés. Jamais, no entanto, o dono da casa ou seus filhos o faziam, pois era um trabalho deplorável. Tocar os pés empoeirados, enlameados pelo barro da estrada e sujos com as repugnâncias do caminho, não era um trabalho para senhores, mas para servos mais humildes. Neste seu gesto de lavação dos pés, Jesus revela a vocação ao serviço. Esta é sua atitude, a qual revela sua vocação. 

Assim, somos convidados e convidadas para servir com a mesma humildade. Não se trata tão simplesmente de lavar os pés, em sentido literal; antes é uma atitude verdadeira de estar a serviço dos irmãos. São atitudes concretas e verdadeiras, do contrario, tornam-se pregações falaciosas e ilusórias. Ser discípulo de Jesus implica em servir os irmãos, o que se realiza com gestos concretos. 

Na continuidade desta ação de Jesus, encontramos a celebração da ceia. Uma ceia humilde e simples, uma ceia verdadeira, que congrega aos irmãos no mesmo ideal. A verdade desta ceia se concretiza na partilha do pão, que simboliza a partilha dos bens fundamentais para a vida humana. Se a partilha do pão na ceia eucarística for verdadeira e fecunda, nos levará a partilhar às coisas que são necessárias para a vida humana, como a comida, a saúde, a moradia, a educação, entre tantos dons divinos.

Esta vocação de Jesus nos provoca à partilha de todos os bens. Partilhar nosso tempo, nossos ideais e nossa fé. Partilhar é reconhecer-se irmão é fazer-se filho de Deus. Reafirmamos, então, que o gesto do “lava-pés”, executado por Jesus e a “ceia derradeira” são convites para vivermos como seguidores do Nazareno.

Estes gestos são revividos e celebrados na Ceia Eucarística. Dessa forma, todo fiel que participa da Missa está sendo convidado para viver a humildade e praticar a partilha dos bens.

Pe. João H. Hansen – Pe. Antonio S. Bogaz, PODP
Autores de “Quaresma: Teologia, tradição, símbolos”: editora Recado 2014.
Fonte Revista Rogate. Nº330 - março de 2015

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Paixão de Cristo aos olhos de Maria

Nesta Semana Santa seguimos os passos do Redentor que faz sua entrega total ao Pai para a nossa Salvação de toda a humanidade. Com este vídeo vamos refletir todo este momento de dor e sofrimento aos olhos de Maria, Mãe de Jesus.