segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Santos Inocentes – mártires (festa) - 28 de Dezembro

A festa de hoje, instituída pelo Papa São Pio V, ajuda-nos a viver com profundidade este tempo da Oitava do Natal. Esta festa encontra o seu fundamento nas Sagradas Escrituras. Quando os Magos chegaram a Belém, guiados por uma estrela misteriosa, “encontraram o Menino com Maria e, prostrando-se, adoraram-No e, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes – ouro, incenso e mirra. E, tendo recebido aviso em sonhos para não tornarem a Herodes, voltaram por outro caminho para a sua terra. Tendo eles partido, eis que um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse-lhe: ‘Levanta-te, toma o Menino e sua mãe e foge para o Egito, e fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o Menino para o matar’. E ele, levantando-se de noite, tomou o Menino e sua mãe, e retirou-se para o Egito. E lá esteve até à morte de Herodes, cumprindo-se deste modo o que tinha sido dito pelo Senhor por meio do profeta, que disse: ‘Do Egito chamarei o meu filho’. Então Herodes, vendo que tinha sido enganado pelos Magos, irou-se em extremo e mandou matar todos os meninos que havia em Belém e arredores, de dois anos para baixo, segundo a data que tinha averiguado dos Magos. Então se cumpriu o que estava predito pelo profeta Jeremias: ‘Uma voz se ouviu em Ramá, grandes prantos e lamentações: Raquel chorando os seus filhos, sem admitir consolação, porque já não existem'” (Mt 2,11-20) Quanto ao número de assassinados, os Gregos e o jesuíta Salmerón (1612) diziam ter sido 14.000; os Sírios 64.000; o martirológio de Haguenau (Baixo Reno) 144.000. Calcula-se hoje que terão sido cerca de vinte ao todo. 

Na Idade Média, nos bispados que possuíam escola de meninos de coro, a festa dos Inocentes ficou sendo a destes. Começava nas vésperas de 27 de dezembro e acabava no dia seguinte. Tendo escolhido entre si um “bispo”, estes cantorzinhos apoderavam-se das estolas dos cônegos e cantavam em vez deles. A este bispo improvisado competia presidir aos ofícios, entoar o Inviatório e o Te Deum e desempenhar outras funções que a liturgia reserva aos prelados maiores. Só lhes era retirado o báculo pastoral ao entoar-se o versículo do Magnificat: Derrubou os poderosos do trono, no fim das segundas vésperas. Depois, o “derrubado” oferecia um banquete aos colegas, a expensas do cabido, e voltava com eles para os seus bancos. Esta extravagante cerimônia também esteve em uso em Portugal, principalmente nas comunidades religiosas.

A festa de hoje também é um convite a refletirmos sobre a situação atual desses milhões de “pequenos inocentes”: crianças vítimas do descaso, do aborto, da fome e da violência. Rezemos neste dia por elas e pelas nossas autoridades, para que se empenhem cada vez mais no cuidado e no amor às nossas crianças, pois delas é o Reino dos Céus. Por estes pequeninos, sobretudo, é que nós cristãos aspiramos a um mundo mais justo e solidário.

Santos Inocentes, rogai por nós!

Imagem: Google

domingo, 27 de dezembro de 2015

A família que Deus quer - Festa da Sagrada Família 26 de dezembro

Dentro da Oitava de Natal e no coração do Mistério da Encarnação celebra-se a Festa da Sagrada Família. Foi proposta por Leão XIII a iniciativa de várias conferências episcopais, em especial a do Canadá, que já em 1893 viam ameaças e desejos de desconstruir a família cristã. Embora naquele tempo o principal desafio era a afirmação do individualismo contratualista que desmanchava o vinculo conjugal sem muitas cerimônias, hoje está em crise a própria idéia de família e de pessoa humana, o que causa certamente mais perplexidades e contradições.

O Evangelho da família está ancorado no Natal de Jesus Cristo, pois a encarnação exige a inserção numa família humana, para o desenvolvimento da pessoa, ter um nome e fazer parte de um povo e de uma cultura. Jesus inicia sua obra redentora santificando e salvando a família, tornando-a o primeiro espaço de humanização e evangelização. A liturgia da Palavra desta festa é muito rica para alimentar uma verdadeira espiritualidade conjugal e familiar centrada no amor, na compreensão, na autoridade servidora e edificadora dos pais, no perdão, na cooperação e na hospitalidade cristã, valores permanentes que fortalecem e enaltecem o grupo familiar.

"A família cristã está chamada a revelar às outras a alegria e a beleza de ser e de se ter uma família".
Como afirma a oração coleta a Sagrada Família é um modelo a ser buscado e vivenciado por todas as famílias, mais que um protótipo estático e abstrato, que esqueceria as dificuldades, problemas e conflitos que o lar de Nazaré teve que assumir para proteger, educar e seguir a Jesus o Salvador.
Foi uma família perseguida de refugiados no Egito, e na própria cidade de Nazaré rejeitaram o Filho de Deus, sendo considerado louco pelos familiares do lugar. Isto prova que a família cristã, como comunidade de fé, esperança e caridade, sendo fiel a Jesus deverá passar também por tribulações, conflitos e confrontos com os Herodes do poder de cada época, porém encontrarão sempre a dita e a felicidade de estarem firmados na verdadeira Rocha que é o Cristo, Senhor das famílias.

A família cristã está chamada a revelar às outras a alegria e a beleza de ser e de se ter uma família, que para nós o Povo da Vida, será sempre a instituição que Deus quis e criou em primeiro lugar, a escola da mais rica e profunda humanidade, a célula básica da sociedade, o santuário da vida e o melhor eco sistema, o empreendimento da maior rentabilidade, o mais valioso recurso da sociedade e do estado, o patrimônio mais rico da humanidade.

Que Jesus esteja sempre com nossas famílias para abençoá-las e santificá-las tornando-as cada vez mais missionárias da paz e do amor. Deus seja louvado!

Texto: Dom Roberto Francisco Ferreria Paz. Bispo de Campos (RJ)
Fonte: A12.com


Evangelho do Dia


sábado, 26 de dezembro de 2015

26 de Dezembro - Santo Estevão

O primeiro mártir cristão aparece nos Atos dos Apóstolos por ocasião de uma desavença, talvez a primeira, surgida na comunidade cristã de Jerusalém depois da Ascensão de Jesus: "[...] surgiram murmurações dos helenistas contra os hebreus. Isto porque, diziam aqueles, suas viúvas estavam sendo esquecidas na distribuição diária".

A primeira comunidade cristã, para viver integralmente o preceito da caridade fraterna, pusera à disposição das pessoas todos os bens, distribuindo diariamente o suficiente para o sustento. Tal incumbência foi confiada a sete ministros da caridade, chamados diáconos, escolhidos entre homens dignos, "de boa reputação, repletos do Espírito e de sabedoria".

Entre estes sete destacava-se Estêvão, "homem cheio de fé e do Espírito Santo", o qual não se limitava à caridade material, mas desempenhava um verdadeiro e próprio apostolado da palavra. E o fazia com tanto zelo e sucesso que os judeus "chegando de improviso, arrebataram-no e o levaram à presença do Sinédrio. Aí apresentaram testemunhas falsas que depuseram: Este homem não cessa de falar contra este lugar santo e contra a Lei. Pois ouvimo-lo dizer repetidamente que esse Jesus, o Nazareu, destruíra este Lugar e modificará os costumes que Moisés nos transmitiu". Era a mesma acusação levantada contra Jesus dois anos antes.

A pregação de Estêvão baseava-se em uma visão católica do cristianismo, que desagradava aos próprios judeus ainda ligados ao nacionalismo hebraico. Diante do tribunal judaico, Estêvão, "cheio de graça e de poder", procurou iluminar aquelas mentes fechadas à mensagem evangélica, demonstrando que Deus se revela também fora dos limites do templo santo. 

Todavia, quando se preparava para expor a doutrina universal do Messias, encarnado em Jesus, como definitiva manifestação de Deus, seus acusadores impediram-no de prosseguir e "dando grandes gritos, taparam os ouvidos e precipitaram-se sobre ele. E, arrastando-o para fora da cidade, começaram a apedrejá-lo".

Isso é o que dizem os Atos dos Apóstolos. Depois, no século V, um 'Martyrium Stephani' teceu em torno da heroica figura do primeiro mártir uma lenda rica em pormenores. O reencontro de suas relíquias, ocorrido em 415, por obra do padre Luciano de Kefar-Gamla, tornou ainda mais popular esse santo.

Contam-se em Roma umas três dezenas de capelas e igrejas [a ele consagradas], das quais a mais famosa, Santo Estêvão Redondo, no Monte Célio, erigida pelo papa Simplício, no século V, foi lugar de peregrinações dos próprios pontífices.


Retirado do livro: 'Os Santos e os Beatos da Igreja do Ocidente e do Oriente', Paulinas Editora.
Imagens: Google

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Feliz Natal!

Com muito Carinho queremos desejar a todas e a todos leitores/as, amigos/as e parceiros/as do Blog Oblatas um Santo e Feliz Natal!












quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Advento é tempo de Preparação



O anúncio do nascimento de Jesus feito a José e a Maria. As leituras bíblicas e a prédica, dirigem seu olhar à disposição da Virgem Maria, diante do anúncio do nascimento do Filho dela e nos convidam a “aprender de Maria e aceitar a Cristo que é a Luz do Mundo”. Como já está tão próximo o Natal, nos reconciliamos com Deus e com nossos irmãos; agora nos resta somente esperar a grande festa. Como família devemos viver a harmonia, a fraternidade e a alegria que esta próxima celebração representa. Todos os preparativos para a festa deverão viver-se neste ambiente, com o firme propósito de aceitar a Jesus nos corações, as famílias e as comunidades. Acenderemos a quarta vela da Coroa do Advento.

Fonte: acidigital

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Advento é tempo de Esperança e Alegria



O testemunho, que Maria, a Mãe do Senhor, vive, servindo e ajudando ao próximo. Na sexta-feira anterior a esse Domingo é a Festa da Virgem de Guadalupe, e precisamente a liturgia do Advento nos convida a recordar a figura de Maria, que se prepara para ser a Mãe de Jesus e que além disso está disposta a ajudar e a servir a todos os que necessitam. O evangelho nos relata a visita da Virgem à sua prima Isabel e nos convida a repetir como ela: “quem sou eu para que a mãe do meu Senhor venha a visitar-me?
Sabemos que Maria está sempre acompanhando os seus filhos na Igreja, pelo que nos dispomos a viver esta terceira semana do Advento, meditando sobre o papel que a Virgem Maria desempenhou. Propomos que fomentar a devoção à Maria, rezando o Terço em família. Acendemos como sinal de esperança gozosa a terceira vela da Coroa do Advento.

Fonte: acidigital

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Advento é tempo de Conversão



A conversão, nota predominante da predica de João Batista. Durante a segunda semana, a liturgia nos convida a refletir com a exortação do profeta João Batista: “Preparem o caminho, Jesus chega”. Qual poderia ser a melhor maneira de preparar esse caminho que busca a reconciliação com Deus? Na semana anterior nos reconciliamos com as pessoas que nos rodeiam; como seguinte passo, a Igreja nos convida a acudir ao Sacramento da Reconciliação (Confissão) que nos devolve a amizade com Deus que havíamos perdido pelo pecado. Acenderemos a segunda vela da Coroa do Advento, como sinal do processo de conversão que estamos vivendo.
Durante esta semana poderíamos buscar nas diferentes igrejas mais próximas, os horários de confissões disponíveis, para quando chegar o Natal, estejamos bem preparados interiormente, unindo-nos a Jesus e aos irmãos na Eucaristia.
                                                                     Fonte: acidigital

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Advento é tempo de Vigiar



A vigilância na espera da vinda do Senhor. Durante esta primeira semana as leituras bíblicas e a prédica são um convite com as palavras do Evangelho: “Velem e estejam preparados, pois não sabem quando chegará o momento”. É importante que, como uma família, tenhamos um propósito que nos permita avançar no caminho ao Natal; por exemplo, revisando nossas relações familiares. Como resultado deveremos buscar o perdão de quem ofendemos e dá-lo a quem nos tem ofendido para começar o Advento vivendo em um ambiente de harmonia e amor familiar. Desde então, isto deverá ser extensivo também aos demais grupos de pessoas com as quais nos relacionamos diariamente, como o colégio, o trabalho, os vizinhos, etc. Esta semana, em família da mesma forma que em cada comunidade paroquial, acenderemos a primeira vela da Coroa do Advento, como sinal de vigilância e desejo de conversão.
Fonte: acidigital


sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Advento: Ele vem chegando ...

O Advento é o tempo litúrgico de preparação alegre para o Natal. Se fôssemos traduzir o sentido dessa palavra, seria melhor usar as expressões: “Ele vem chegando...” ou “Ele está pra chegar...” Ele, quem? Jesus, nosso Redentor.

A Liturgia, porém, não se contenta em comemorar um acontecimento do passado. Ela não somente recorda o que aconteceu, mas, pela força do Espírito Santo, atualiza para nós, hoje, o mistério da Encarnação. A celebração litúrgica louva a Trindade santa pela vinda do Verbo eterno, e, ao mesmo tempo, renova a presença viva de Jesus no meio de nós, levando-nos a celebrar a alegria da nossa fé.

Os 4 domingos do Advento nos convidam a meditar sobre duas dimensões da vinda de Jesus. A primeira vinda, quando se encarnou no seio de Maria Santíssima e nasceu em Belém. E a segunda vinda, quando voltará para encerrar a história humana e julgar os que aceitaram e os que rejeitaram o Reino de Deus, inaugurado por Ele.

A Liturgia da Palavra, que anuncia essa segunda vinda, nos convida a fazer um balanço da nossa vida, ao longo do ano que está para terminar. Vale a pena examinar até que ponto nossa vida e nossos atos caminharam de acordo com o Reino de Deus. É tempo de acertar bem as contas, seja para agradecer, seja para pedir perdão, se ficamos em dívida com o mandamento do amor, com a justiça, com a verdade, com a caridade etc.

O melhor modo de preparar o Natal é cuidar do presépio do nosso coração, para que esteja bem limpo e iluminado. Não podemos perder de vista que a segunda vinda de Jesus para nós pode acontecer a qualquer momento da nossa existência. Talvez, ao invés de celebrar o Natal de Jesus para nós, iremos celebrar o nosso Natal para Jesus.

Jesus, nossa Cabeça, já nasceu. Nós, o seu Corpo, ainda estamos nascendo. Natal de Jesus é passado, celebrado com alegria e esperança. O nosso Natal com Jesus é presente, na medida em que o Espírito Santo vai realizando o nosso nascimento espiritual, para que brote em nós, através da graça divina, uma nova criatura, semelhante a Jesus. Seria tão bom, se a cada ano, ao celebrar o Natal de Jesus, nós procurássemos nascer um pouco mais para Jesus e para o seu Reino.

Prepare bem o Natal deste ano, participando da Novena do Natal em Família. Se já tem o seu grupo de famílias, incentive a todos para que participem. Se ainda não existe, tome a iniciativa de convidar algumas famílias, vizinhas ou amigas, para se unirem a sua família e fazer a novena.

Vale a pena evangelizar novamente o Natal, para que não se reduza a comércio e comilanças. Natal sem Jesus é Natal sem vida. Natal com Jesus é força de esperança que nos fará viver bem ao longo de todo o novo ano. 

Fonte: a12.com

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Advento: Tempo das promessas


O tempo do Advento é o tempo da esperança. Com os olhos voltados para o alto, todos nós cristãos esperamos pelo nascimento de Jesus, na manjedoura.

De acordo com o Missionário Redentorista, padre Luiz Carlos de Oliveira, o povo de Deus clamou por um salvador durante séculos, mas não perdeu a esperança.

Na expectativa do Natal, já ouvimos os rumores da festa. A festa vai além do que nossos olhos veem.

“A grande festa é a vida do Filho de Deus que vem viver conosco e em nós. Ele está para chegar. Esta certeza responde às profecias que o anunciaram. Um dia aconteceu esta chegada de Deus em nosso meio pelo nascimento de Jesus”, afirmou.

Para o padre, nosso Natal é uma celebração memorial que quer repropor à memória os fatos, e ao mesmo tempo é uma celebração onde a Igreja vive a presença de Jesus, a manifestação das misericórdias de Deus.

“Esta celebração da encarnação e nascimento de Jesus tem por finalidade propor para nós o que aconteceu naquele dia. Não se repete o fato, mas por dom da sabedoria de Deus, nós nos fazemos participantes, não um fato histórico do passado, mas de toda a ação do Deus que se manifestou. Nossa relação com o mistério do Natal é maior do que a própria visão humana dos que presenciaram os fatos, pois o que vê pela fé e recebe tudo o que Deus oferece em seu Filho”.

O Missionário Redentorista ressalta que Deus nos faz presentes não ao fato histórico, mas nos une ao próprio acontecimento redentor. Se nos abrirmos, pela disposição da fé, e levamos para nossa vida sua presença e missão, nós vivemos bem o Natal.

“Nós o tornamos presente e nós somos Natal. Abri as portas ao Redentor! É o grito desta festa. Abrindo as portas de nossa vida, o mistério de Jesus (sua vida, palavra e graça) invadem nossa vida de modo que somos uma continuação deste acontecimento de Deus ser Emanuel, Deus conosco, fazendo-o presente por nossa vida. Toda a celebração é um momento especial para a comunidade”.


segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Advento: Alegria de uma espera

A Igreja celebra a ação de Cristo através das ações litúrgicas envolvidas no cotidiano das pessoas. Essas ações se desenvolvem dentro dos tempos litúrgicos, que por sua vez fazem parte do Ano Litúrgico. 
O Ano litúrgico é composto dos seguintes tempos: Advento, Natal, Tempo Comum (primeira e segunda parte), Quaresma, Páscoa. Dentro destes períodos celebramos ainda a figura da Virgem Maria e dos Santos e Santas.

O Advento é o primeiro tempo. Ele abre as portas deste belo itinerário litúrgico o qual somos convidados a percorrer. Vem do Latim Adventus, que significa Chegada, Vinda, Aquele que há de vir. Somos envolvidos por uma grande expectativa pela vinda de Jesus. Um casal que espera a vinda de um filho sabe muito bem o que significa isto. A notícia, a alegria, os preparativos até que o Tempo se completa.

Na experiência de nossa fé, envolvidos por estes sentimentos celebramos a vinda de “Jesus Cristo no tempo e na história dos homens para trazer-lhes a salvação”. A espera pela vinda de Jesus, desperta em nós a busca por atitudes espirituais. Não se trata de um tempo em que somos bombardeados pela sociedade que desperta o desejo pelo consumismo. É preciso alimentar a fé, perseverar na oração, preparar o coração com o sacramento da Penitência (confissão sacramental).

Alguns elementos sensíveis da liturgia aparecem em nossas comunidades como força que comunicam essa proximidade de Deus, entre os principais se destaca a coroa do Advento, constituída de quatro velas, reforçam a importância de uma comunidade que caminha na vigilância, com o desejo de conversão, na esperança e com alegria ao encontro da grande Luz, que é Jesus Cristo.

O Tempo do Advento envolve-se também de duas características: “sendo um tempo de preparação para as Solenidades do Natal, em que comemora a primeira vinda do Filho de Deus entre os homens, é também um tempo em que, por meio desta lembrança, voltam-se os corações para a expectativa da segunda vinda do Cristo no fim dos tempos. Por este duplo motivo, o tempo do Advento se apresenta como um tempo de piedosa e alegre expectativa”.

O Advento deste ano, abre-nos o ciclo litúrgico A, no qual, acompanharemos de modo particular os escritos do evangelista Mateus. Temos ainda duas celebrações Marianas importantes, Solenidade da Imaculada Conceição, em 8 de Dezembro e a Festa de Nossa Senhora de Guadalupe, Padroeira da América Latina, no dia 12. Destaca-se ainda o terceiro domingo, como o Domingo da Alegria, (do latim Guadete). Nesta ocasião permite-se o uso de paramentos Róseo.

Na perspectiva bíblica, os textos proclamados nas celebrações deste Tempo apresentam-nos algumas personagens que trazem em si o sentido desta expectativa, são eles: Isaías, João Batista e a Virgem Maria.

Por se tratar de um tempo de expectativa, não podemos antecipar a alegria do Natal, assim, neste período, os instrumentos musicais devem ser tocados com moderação, omite-se o Hino de Louvor (Glória), bem como a ornamentação do altar, evitando assim a ostentação.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realiza no terceiro domingo do Advento a Coleta Nacional para a Evangelização, onde todas as comunidades compartilham dos recursos financeiros. Do montante arrecadado 45% é destinado para as Dioceses, 20% para os Regionais da CNBB e 35% para a CNBB Nacional.

Vivamos este tempo com a grande expectativa do encontro da nossa humanidade com a humanidade e divindade do Filho de Deus. 

Padre Kleber Rodrigues da Silva 

domingo, 13 de dezembro de 2015

Santa Luzia - 13 de dezembro

Somente em 1894 o martírio da jovem Luzia, também chamada Lúcia, foi devidamente confirmado, quando se descobriu uma inscrição escrita em grego antigo sobre o seu sepulcro, em Siracusa, Nápoles. A inscrição trazia o nome da mártir e confirmava a tradição oral cristã sobre sua morte no início do século IV.

Mas a devoção à santa, cujo próprio nome está ligado à visão ("Luzia" deriva de "luz"), já era exaltada desde o século V. Além disso, o papa Gregório Magno, passado mais um século, a incluiu com todo respeito para ser citada no cânone da missa. Os milagres atribuídos à sua intercessão a transformaram numa das santas auxiliadoras da população, que a invocam, principalmente, nas orações para obter cura nas doenças dos olhos ou da cegueira.

Diz a antiga tradição oral que essa proteção, pedida a santa Luzia, se deve ao fato de que ela teria arrancado os próprios olhos, entregando-os ao carrasco, preferindo isso a renegar a fé em Cristo. A arte perpetuou seu ato extremo de fidelidade cristã através da pintura e da literatura. Foi enaltecida pelo magnífico escritor Dante Alighieri, na obra "A Divina Comédia", que atribuiu a santa Luzia a função da graça iluminadora. Assim, essa tradição se espalhou através dos séculos, ganhando o mundo inteiro, permanecendo até hoje.

Luzia pertencia a uma rica família napolitana de Siracusa. Sua mãe, Eutíquia, ao ficar viúva, prometeu dar a filha como esposa a um jovem da Corte local. Mas a moça havia feito voto de virgindade eterna e pediu que o matrimônio fosse adiado. Isso aconteceu porque uma terrível doença acometeu sua mãe. Luzia, então, conseguiu convencer Eutíquia a segui-la em peregrinação até o túmulo de santa Águeda ou Ágata. A mulher voltou curada da viagem e permitiu que a filha mantivesse sua castidade. Além disso, também consentiu que dividisse seu dote milionário com os pobres, como era seu desejo.

Entretanto, quem não se conformou foi o ex-noivo. Cancelado o casamento, foi denunciar Luzia como cristã ao governador romano. Era o período da perseguição religiosa imposta pelo cruel imperador Diocleciano; assim, a jovem foi levada a julgamento. Como dava extrema importância à virgindade, o governante mandou que a carregassem à força a um prostíbulo, para servir à prostituição. Conta a tradição que, embora Luzia não movesse um dedo, nem dez homens juntos conseguiram levantá-la do chão. Foi, então, condenada a morrer ali mesmo. Os carrascos jogaram sobre seu corpo resina e azeite ferventes, mas ela continuava viva. Somente um golpe de espada em sua garganta conseguiu tirar-lhe a vida. Era o ano 304.

Para proteger as relíquias de santa Luzia dos invasores árabes muçulmanos, em 1039, um general bizantino as enviou para Constantinopla, atual território da Turquia. Elas voltaram ao Ocidente por obra de um rico veneziano, seu devoto, que pagou aos soldados da cruzada de 1204 para trazerem sua urna funerária. Santa Luzia é celebrada no dia 13 de dezembro e seu corpo está guardado na Catedral de Veneza, embora algumas pequenas relíquias tenham seguido para a igreja de Siracusa, que a venera no mês de maio também.



Evangelho do Dia


sábado, 12 de dezembro de 2015

Festa de Nossa Senhora de Guadalupe - 12 de dezembro

Num sábado, no ano de 1531, a Virgem Santíssima apareceu a um indígena que, de seu lugarejo, caminhava para a cidade do México a fim de participar da catequese e da Santa Missa enquanto estava na colina de Tepeyac, perto da capital. Este índio convertido chamava-se Juan Diego (canonizado pelo Papa João Paulo II em 2002).

Nossa Senhora disse então a Juan Diego que fosse até o bispo e lhe pedisse que naquele lugar fosse construído um santuário para a honra e glória de Deus.

O bispo local, usando de prudência, pediu um sinal da Virgem ao indígena que, somente na terceira aparição, foi concedido. Isso ocorreu quando Juan Diego buscava um sacerdote para o tio doente: “Escute, meu filho, não há nada que temer, não fique preocupado nem assustado; não tema esta doença, nem outro qualquer dissabor ou aflição. Não estou eu aqui, a seu lado? Eu sou a sua Mãe dadivosa. Acaso não o escolhi para mim e o tomei aos meus cuidados? Que deseja mais do que isto? Não permita que nada o aflija e o perturbe. Quanto à doença do seu tio, ela não é mortal. Eu lhe peço, acredite agora mesmo, porque ele já está curado. Filho querido, essas rosas são o sinal que você vai levar ao Bispo. Diga-lhe em meu nome que, nessas rosas, ele verá minha vontade e a cumprirá. Você é meu embaixador e merece a minha confiança. Quando chegar diante dele, desdobre a sua “tilma” (manto) e mostre-lhe o que carrega, porém, só em sua presença. Diga-lhe tudo o que viu e ouviu, nada omita…”

O prelado viu não somente as rosas, mas o milagre da imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, pintada prodigiosamente no manto do humilde indígena. Ele levou o manto com a imagem da Santíssima Virgem para a capela, e ali, em meio às lágrimas, pediu perdão a Nossa Senhora. Era o dia 12 de dezembro de 1531.

Uma linda confirmação deu-se quando Juan Diego fora visitar o seu tio, que sadio narrou: “Eu também a vi. Ela veio a esta casa e falou a mim. Disse-me também que desejava a construção de um templo na colina de Tepeyac e que sua imagem seria chamada de ‘Santa Maria de Guadalupe’, embora não tenha explicado o porquê”. Diante de tudo isso muitos se converteram e o santuário foi construído.

O grande milagre de Nossa Senhora de Guadalupe é a sua própria imagem. O tecido, feito de cacto, não dura mais de 20 anos e este já existe há mais de quatro séculos e meio. Durante 16 anos, a tela esteve totalmente desprotegida, sendo que a imagem nunca foi retocada e até hoje os peritos em pintura e química não encontraram na tela nenhum sinal de corrupção.

No ano de 1971, alguns peritos inadvertidamente deixaram cair ácido nítrico sobre toda a pintura. E nem a força de um ácido tão corrosivo estragou ou manchou a imagem. Com a invenção e ampliação da fotografia descobriu-se que, assim como a figura das pessoas com as quais falamos se reflete em nossos olhos, da mesma forma a figura de Juan Diego, do referido bispo e do intérprete se refletiu e ficou gravada nos olhos do quadro de Nossa Senhora. Cientistas americanos chegaram à conclusão de que estas três figuras estampadas nos olhos de Nossa Senhora não são pintura, mas imagens gravadas nos olhos de uma pessoa viva.

Declarou o Papa Bento XIV, em 1754: “Nela tudo é milagroso: uma Imagem que provém de flores colhidas num terreno totalmente estéril, no qual só podem crescer espinheiros… uma Imagem estampada numa tela tão rala que através dela pode se enxergar o povo e a nave da Igreja… Deus não agiu assim com nenhuma outra nação”.

Coroada em 1875 durante o Pontificado de Leão XIII, Nossa Senhora de Guadalupe foi declarada “Padroeira de toda a América” pelo Papa Pio XII no dia 12 de outubro de 1945.

No dia 27 de janeiro de 1979, durante sua viagem apostólica ao México, o Papa João Paulo II visitou o Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe e consagrou a Mãe Santíssima toda a América Latina, da qual a Virgem de Guadalupe é Padroeira.

Nossa Senhora de Guadalupe, rogai por nós!

Imagens: Google

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Dia Internacional dos Direitos Humanos: uma data para ser lembrada todos os dias do ano

10 de dezembro é o Dia Internacional dos Direitos Humanos. A data foi instituída em 1950, dois anos após a Organização das Nações Unidas (ONU) adotar a Declaração Universal do Direitos Humanos como marco legal regulador das relações entre governos e pessoas. Com esse ato, mais do que celebrar, a ONU visava destacar o longo caminho a ser percorrido na efetivação dos preceitos da declaração. 

Nos trinta artigos do documento estão descritos os direitos básicos que garantem uma vida digna para todos os habitantes do mundo (liberdade, educação, saúde, cultura, informação, alimentação e moradia adequadas, respeito, não-discriminação, entre outros). 

A declaração é, nesse sentido, um marco normativo que serve de guia para as condutas de governos e cidadãos. Seus princípios inspiraram e estão amplamente disseminados no arcabouço legal dos mais diversos países, assim como nos inúmeros tratados internacionais que versam sobre o tema.

O Dia Internacional dos Direitos Humanos constitui, portanto, muito mais do que uma data comemorativa. É um dia para a coletividade global relembrar que a garantia efetiva dos direitos humanos – a todos os povos e nações – requer vigilância contínua e participação coletiva. Uma data para reivindicarmos ações concretas de todos os Estados para o cumprimento dos compromissos assumidos com a garantia dos direitos civis, políticos, sociais e ambientais.

Neste 10 de dezembro, busquemos uma reflexão sobre o papel a ser exercido pelo Estado, pelo Ministério Público, pela família e por cada pessoa no avanço e na efetivação das garantias consolidadas pela Declaração dos Direitos Humanos. Essa é uma oportunidade para fazermos um balanço do que os governos já concretizaram em benefício do seu povo e os desafios ainda postos. Um chamado para que os países do mundo refundem o compromisso social de, por meio do ensino e da educação, promover o respeito a todos os direitos e fundamentais.

Texto:Gilda Carvalho, Procuradora Federal dos Direitos do Cidadão (Dez 2011)
Imagem: Google









terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Nossa Senhora da Imaculada Conceição- 08 de Dezembro

Mais do que memória ou festa de um dos santos de Deus, neste dia estamos solenemente comemorando a Imaculada Conceição de Nossa Senhora, a Rainha de todos os santos.

Esta verdade, reconhecida pela Igreja de Cristo, é muito antiga. Muitos padres e doutores da Igreja oriental, ao exaltarem a grandeza de Maria, Mãe de Deus, usavam expressões como: cheia de graça, lírio da inocência, mais pura que os anjos.

A Igreja ocidental, que sempre muito amou a Santíssima Virgem, tinha uma certa dificuldade para a aceitação do mistério da Imaculada Conceição. Em 1304, o Papa Bento XI reuniu na Universidade de Paris uma assembleia dos doutores mais eminentes em Teologia, para terminar as questões de escola sobre a Imaculada Conceição da Virgem. Foi o franciscano João Duns Escoto quem solucionou a dificuldade ao mostrar que era sumamente conveniente que Deus preservasse Maria do pecado original, pois a Santíssima Virgem era destinada a ser mãe do seu Filho. Isso é possível para a Onipotência de Deus, portanto, o Senhor, de fato, a preservou, antecipando-lhe os frutos da redenção de Cristo.

Rapidamente a doutrina da Imaculada Conceição de Maria, no seio de sua mãe Sant’Ana, foi introduzido no calendário romano. A própria Virgem Maria apareceu em 1830 a Santa Catarina Labouré pedindo que se cunhasse uma medalha com a oração: “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós”.

No dia 8 de dezembro de 1854, através da bula Ineffabilis Deus do Papa Pio IX, a Igreja oficialmente reconheceu e declarou solenemente como dogma: “Maria isenta do pecado original”.

A própria Virgem Maria, na sua aparição em Lourdes, em 1858, confirmou a definição dogmática e a fé do povo dizendo para Santa Bernadette e para todos nós: “Eu Sou a Imaculada Conceição”.

Nossa Senhora da Imaculada Conceição, rogai por nós!

Imagem: Google

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Dia 04 de Dezembro- Dia do Orientador Educacional

A palavra orientar nos remete uma conotação de dirigir, guiar, encaminhar, nortear, palavras estas que confronta com uma sociedade que muitas vezes parece não saber o caminho a ser percorrido, onde o bem e mal até então palavras antagônicas se tornam confusas diante de pessoas confusas em relação às próprias vidas.

Nunca foi tão urgente a necessidade de direção e de reencontro; falo do reencontro consigo mesmo! De saber de fato o que é importante, o que vale a pena; saber diferenciar o que faz parte da essência individual, de valores que são enfiados “goela abaixo” e são engolidos como parte da comida pessoal, mas que na verdade não é o mais apreciado no cardápio.
Ser diferente até então sinônimo de exclusividade, ou até mesmo de originalidade, hoje está fora daquilo que a sociedade padroniza como aceito e apreciável, as pessoas tem se tornado muitas parecidas; em relação às roupas que usam, o carro que anda, os moveis das suas casas, o corte de cabelo, e o que é pior em relação ao caráter e a personalidade, pois ser correto pode se tornar sinônimo de ingenuidade e ninguém que ser taxado de ingênuo.

Diante desta crise existencial que vive a sociedade, vejo o ORIENTADOR EDUCACIONAL como um dos mais importantes profissionais, pois uma vez que este profissional exteriorize sua função nas vidas daqueles que necessitam de reencontro pessoal, certamente será uma importantíssima mola na grande engrenagem da vida daqueles que tem sede de direção na sua mais pura expressão.

A educação na sua totalidade é muito mais do que aprender números e regras gramaticais, pois como diz Rubéns Alves, “sem a educação da sensibilidade, todas as habilidades são tolas e sem sentido”, Rubéns Alves diz ainda que o conhecimento nos dão meio para viver e a sabedoria nos dá razões para viver. E é exatamente disto que precisamos razão, norte, metas, intencionalidade, direcionamento, pois quem não sabe onde quer chegar qualquer caminho serve.

É indispensável que haja no cenário educacional um importante espaço para que se discuta sobre vida na sua proposta curricular, e o Orientador tem um peso e uma importância muito grande neste processo de humanização. Pois não podemos dizer que há educação sem humanização, só mediante um currículo verdadeiramente humanizado que proporcionaremos condições para que se forme uma sociedade de fato humanizada. Uma sociedade humanizada é formada de pessoas que tenha uma relação de amor e de respeito consigo mesmo.

Mediante o exposto parabenizo a todos os Orientadores Educacional, Vocacional e Espiritual, pela linda e importante escolha que um dia fizeram em ser muitas vezes luz no caminho de muitas pessoas. Desejamos que suas vidas sejam sempre como um farol para aqueles que buscam luz e direção, que Jesus o nosso mais perfeito orientador esteja a cada dia nos ensinando a ser como ele mesmo disse o sal da terra, ou seja, que tenhamos sabor, tempero, nos tornando essências na vida um dos outros, e que sejamos luz que não deve ficar escondida, mas no lugar certo no velador, para que todos que estejam no ambiente sejam beneficiados pela vida que dela emana.

PARABÉNS PELO DIA DO ORIENTADOR! Mas principalmente por permitir ser um instrumento de paz e amor na vida de todos que são beneficiados pelo seu trabalho e pela pessoa que você é. Na certeza de que uma vez que as pessoas que nos cercam sejam amadas e respeitadas, saberão amar e respeitar, sendo a nossa sociedade a grande beneficiada e assim contribuiremos de maneira efetiva para a formação de uma sociedade de fato mais fraterna.

Por Ismeni Lima de Moura, Orientadora Educacional – SEDUC;
(Texto com Adaptações).


quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

03 de Dezembro - Dia de São Francisco Xavier



A Igreja sempre se apoiou nos missionários para sua expansão no decorrer dos séculos. Primeiro foram os apóstolos que se espalharam pelo mundo após a ressurreição de Jesus. Durante o período do descobrimento, entre os séculos XV e XVI, o cristianismo encontrou nos missionários da Companhia de Jesus, os jesuítas, a forma de iniciar a evangelização nas Américas e no Oriente: Índia, Japão e China.

Francisco Xavier, considerado o maior dos missionários jesuítas, foi o fundador dessas missões no Oriente. Nasceu no reino de Navarra, Espanha, em 7 de abril de 1506. Era filho de uma família nobre, que havia projetado para ele um futuro de glória e riqueza no mundo, matriculando-o, com dezoito anos, na Universidade de Paris. Mas não foi no campo terreno que ele se sobressaiu e sim no espiritual. Francisco formou-se em filosofia e lecionava na mesma universidade, onde conheceu um aluno bem mais velho e de ideias objetivas e tudo mudou. Tratava-se do futuro santo Inácio de Loyola, fundador dos jesuítas.

Loyola sonhava formar uma companhia de apóstolos para a defesa e propagação do cristianismo no mundo. Viu em Francisco alguém capaz de ajudá-lo na empreitada e tentou conquistá-lo para a causa. Tarefa que se revelou nada fácil, por causa do orgulho e da ambição que Xavier tinha, projetadas em si por sua família. Loyola, enfim, convenceu-o com uma frase que lhe tocou a alma: "De que vale a um homem ganhar o mundo inteiro se perder sua alma?" (Mc 8, 36). Francisco tomou-a como lema e nunca mais a abandonou, nem ao seu autor, Jesus Cristo.

Os papéis se inverteram e Inácio passou a ser mestre de seu professor, ensinando-lhe o difícil caminho da humildade e dos exercícios espirituais. Francisco, por fim, se retirou por quarenta dias na solidão, preparando-se para receber a ordenação sacerdotal. Celebrou sua primeira missa com trinta e um anos e se tornou cofundador da Companhia de Jesus. Passou, então, a cuidar dos doentes leprosos, doença de então, segregados pela sociedade. Com outros companheiros, fixou-se, em 1537, em Veneza, onde recolhia das ruas e tratava aqueles a quem ninguém tinha coragem de recolher.

Foi então que D. João III, rei de Portugal, pediu a Inácio de Loyola para organizar um grupo de sacerdotes que acompanhassem as expedições ao Oriente e depois evangelizassem as Índias. O grupo estava pronto e treinado quando um dos missionários adoeceu e Francisco Xavier decidiu tomar o seu lugar. O navio, com novecentos passageiros, entre eles Francisco Xavier, partiu de Lisboa com destino às Índias. Foi o início de uma viagem perigosíssima e cheia de transtornos, que demorou praticamente um ano. Durante todo esse tempo, Francisco trabalhou em todos os serviços mais humildes do navio. Era auxiliar de cozinha, faxineiro e enfermeiro. Finalmente, chegaram ao porto de Goa.


Desde então, Francisco Xavier realizou uma das missões mais árduas da Igreja Católica. Ia de aldeia em aldeia, evangelizava os nativos, batizava as crianças e os adultos. Reunia as aldeias em grupos, fundava comunidades eclesiais e deixava outro sacerdote para tocar a obra, enquanto investia em novas frentes apostólicas noutra região. Acabou saindo das Índias para pregar no Japão, além de ter feito algumas incursões clandestinas na China.

Numa delas, na ilha de Sacian, adoeceu e uma febre persistente o debilitou, levando-o à morte, em 3 de dezembro de 1552, com apenas quarenta e seis anos de idade. A Igreja o beatificou em 1619, canonizando-o em 1622. Celebrado no dia de sua morte, como exemplo do missionário moderno, são Francisco Xavier foi, com toda justiça, proclamado pela Igreja patrono das missões, e pelo trabalho tão significativo recebeu o apelido de "são Paulo do Oriente".


Imagems: Milicia da Imaculada e Google


terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Pesquisa alerta para o crescimento da Aids entre os jovens brasileiros

O número de casos novos de Aids está diminuindo no mundo, mas no Brasil preocupa o crescimento da doença entre os jovens. É o que mostra o relatório anual da Unaids, programa das Nações Unidas sobre HIV.

"O número de adolescentes que têm buscado a ONG para pedir ajuda tem crescido significativamente. O que eu percebo é que essa nova geração de portadores perdeu o medo da Aids", afirma Cristiano Ramos, que tem o vírus HIV e é presidente da ONG Amigos da Vida, para soropositivos.

Cristiano vê na prática o que os números do relatório do Unaids mostram: a cada três pessoas infectadas em todo o mundo, uma tem entre 15 e 24 anos. No Brasil, a preocupação é com os garotos de 15 a 19 anos. O número de casos, nessa faixa etária, aumentou 53% de 2004 a 2013.
“A Aids não discrimina. A Aids não tem cara. Realmente, nós temos que falar para o jovem em geral”, alerta Georgiana Braga, diretora Unaids Brasil.

Apesar do crescimento da doença entre os jovens, o relatório tem dados positivos. De 2000 a 2014, o número de infecções no mundo caiu 35% e passou de 3,1 milhões para 2 milhões no ano passado. O número de mortes também caiu 41% nesses 15 anos.

A meta agora é permitir que a maior parte das pessoas tenha acesso aos exames e ao tratamento que diminui a carga viral. Hoje, a estimativa é que 36,9 milhões de pessoas em todo o mundo vivam com o vírus HIV, mas só metade delas, 54% sabem. Daí a importância de fazer o exame o quanto antes e começar a tomar os remédios.

Regina Cohen, psicóloga e coordenadora do programa Cidadãs Positivas, demorou para saber que era soropositiva. Quando fez o exame, descobriu que estava contaminada há 10 anos. "Se tivesse tido uma descoberta bem mais cedo, eu teria tido mais chance. Eu quase fui a óbito. Isso é muito grave", revela.

No Brasil, a estimativa é que 734 mil pessoas estejam contaminadas. Desde 1996, todos os remédios contra a doença são de graça e o governo aumentou a distribuição. Antes, recebia o remédio somente quem desenvolvia a Aids ou tinha carga viral muito alta, mas desde 2013 todos os soropositivos tomam o antiretroviral.

O tratamento no Brasil virou referência. “Nós já temos 61% das pessoas, é uma média bem acima da média global, que é de 41%. Mas tem um grande esforço para que a gente chegue nesses 90% até antes de 2020", explica Fábio Mesquita, diretor do departamento de DST/Aids do Ministério da Saúde.

Imagem: Google

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

30 de Novembro - Dia de Santo André

Era filho de um pescador da Galiléia de nome Jonas e era irmão de Simão Pedro. Vivia em Cafarnaum e era um seguidor de São João Batista antes de ser apresentado a Jesus. Foi o primeiro apóstolo de Jesus. Ele é mencionado no novo testamento como estando presente nos mais importantes evento da vida e missão de Jesus. 

Aparece no episódio da multiplicação dos pães, onde depois da resposta de Felipe, André indica a Jesus um jovem que possuía os únicos alimentos ali presentes: cinco pães e dois peixes (Jo 6,8-9). 

André participou da vida pública de Jesus, estava presente na Última Ceia, viu o Cristo Ressussitado, testemunhou a Ascenção e recebeu o primeiro Pentecostes. 

Alguns historiadores citam que depois de Jerusalém foi evangelizar na Galiléia, Cítia, Etiópia, Trácia e, finalmente na Grécia. Nessa última, formou um grande rebanho e pôde fundar a comunidade cristã na Acaia, um dos modelos de Igreja nos primeiros tempos. Mas foi alí também que acabou martirizado nas mãos do inimigo, Egéas, governador e juiz romano local. 

Ficou dois dias pregado numa cruz em forma de "X". Conta a tradição que, um pouco antes de André morrer, foi possível ver uma grande luz envolvendo-o e apagando-se a seguir. Tudo ocorreu sob o império de Nero, em 30 de novembro do ano 60, data que toda a cristandade guarda para sua festa.

REFLEXÃO: Santo André, primeiro apóstolo de Jesus, é representado na iconografia cristã como um missionário abraçado a uma cruz em forma de X. Padroeiro dos açougueiros, pescadores e mineradores, é também patrono de diversos países, como Escócia, Espanha, Rússia e Grécia.

ORAÇÃO: Ó Deus, que a vossa Igreja exulte sempre no constante louvor do Apóstolo Santo André, para que, sustentada por sua doutrina e intercessão, seja fiel a seus ensinamentos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso filho, na unidade do Espírito Santo. Amém

Colaboração: Padre Evaldo César de Souza, CSsR
Fonte: A12.com


quinta-feira, 26 de novembro de 2015

10º Mandamento: Não cobiçar as coisas alheias

10° NÃO COBIÇAR AS COISAS ALHEIAS (Ex 20,17)

«Não cobiçarás [...] nada que pertença [ao teu próximo]» (Ex 20, 17). 
«Não cobiçarás a casa [do teu próximo], nem o seu campo, nem o seu servo
 nem a sua serva, o seu boi, ou o seu jumento, nem nada que lhe pertença» (Dt 5, 21).

«Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração» (Mt 6, 21).

O décimo mandamento exige banir a inveja do coração humano, proíbe a ambição desregrada, nascida da paixão imoderada das riquezas e de seu poder. Não é pecado desejar obter as coisas que pertencem aos outros através de uma maneira justa.

A inveja e a tristeza sentida diante do bem de outrem e o desejo imoderado de dele se apropriar é um vício capital (gera outros vícios) e é, segundo Santo Agostinho, "o pecado diabólico por excelência." Dela vêm o ódio, a maledicência, a calúnia, a alegria à desgraça alheia, e o desprazer com a prosperidade dos outros.

«Quando a Lei nos diz: "Não cobiçarás", diz-nos, por outras palavras, que afastemos os nossos desejos de tudo o que não nos pertence. Porque a sede da cobiça dos bens alheios é imensa, infindável e insaciável, conforme está escrito: "O avarento nunca se fartará de dinheiro" (Sir 5, 9)»

O Cristão batizado deve combater este pecado da inveja, através da benevolência, a humildade e abandono nas mãos da Providencia divina. Os fiéis de Cristo "crucificaram a carne com suas paixões e concupiscências" (Gl 5,24); são conduzidos pelo Espírito e seguem seus desejos.

O desapego das riquezas é necessário para entrar no Reino dos Céus. "Bem-aventurados os pobres de coração". Eis o verdadeiro desejo do homem: "Quero ver a Deus". A sede de Deus é saciada pela água da Vida Eterna.

Texto com Adaptações.
Imagem: Google



quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Dia Internacional de Combate à Violência Contra as Mulheres

Hoje, 25 de novembro, é Dia Internacional de Combate à Violência Contra as Mulheres. O dia foi instituído no 1º Encontro Feminista Latino-americano e Caribenho, realizado em 1981, em homenagem às Irmãs Mirabal: Pátria, Minerva, e Maria Teresa, conhecidas como “Las Mariposas”, dominicanas que protestaram contra a ditadura de Trujillo, na República Dominicana, e foram brutalmente torturadas e assassinadas. Em 1999, a Assembleia Geral da ONU proclama essa data como o ”Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra a Mulher” incentivando todos os governos e a sociedade civil a extinguir com a violência que destrói a vida de milhares de mulheres nas nossas cidades.

Apesar de ser uma pauta que obteve avanços nos últimos anos, tanto no Brasil como no mundo, ainda é preciso falar e falar sobre esse assunto. Porque os números da violência doméstica e da violência sexual, que tem as mulheres como maiores vítimas, continuam muito altos e também porque temos que acrescentar dados sobre violência obstétrica, lesbofobia e transfobia. Além de outras estruturas sociais perversas que atingem as mulheres como o racismo, a gordofobia e o capacitismo.

Ainda é preciso falar que a violência não é apenas física, mas também psicológica. Ainda é preciso questionar porque a Lei Maria da Penha, apesar de seus 8 anos de existência, ainda não protege as mulheres. Por que as mulheres devem mudar totalmente suas vidas, largarem empregos e irem para abrigos quando ameaçadas pela violência de um ex-companheiro? Como enxergamos a vítima e como o Estado pode agir para proteger as mulheres e dar-lhes segurança?

Ainda é preciso dizer que saia curta não é razão para estupro. Ainda é preciso dizer que assédio em locais públicos também é violência. Ainda é preciso dizer que uma “cantada” muitas vezes é uma invasão, não importa a intenção. Ainda é preciso denunciar que violência não é tática de conquista. Ainda é preciso lutar para que os relacionamentos amorosos não sejam baseados na posse do outro.

Vídeo:YouTube


terça-feira, 24 de novembro de 2015

9º Mandamento: Não cobiçarás a casa do teu próximo, não desejarás a mulher do próximo

9°) NÃO DESEJARÁS A MULHER/HOMEM
DO/A PRÓXIMO/A (Ex 20,17)

«Não cobiçarás a casa do teu próximo, não desejarás a mulher do próximo,
 nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, ou o seu jumento, 
nem nada que lhe pertença» (Ex 20, 17).

«Todo aquele que olhar para uma mulher, desejando-a, 
já cometeu adultério com ela no seu coração» (Mt 5, 28).

São João distingue três espécies de cupidez ou concupiscência: a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida (253). Segundo a tradição catequética católica, o nono mandamento proíbe a concupiscência carnal; e o décimo, a cobiça dos bens alheios.

Em sentido etimológico, «concupiscência» pode designar todas as formas veementes de desejo humano. A teologia cristã deu-lhe o sentido particular de impulso do apetite sensível, contrário aos ditames da razão humana. O apóstolo São Paulo identifica-a com a revolta que a «carne» instiga contra o «espírito». Procede da desobediência do primeiro pecado.  Desregra as faculdades morais do homem e, sem ser nenhuma falta em si mesma, inclina o homem para cometer pecado .

No homem, porque é um ser integrado de espírito e corpo, já existe uma certa tensão. Trava-se nele uma certa luta de tendências entre o «espírito» e a «carne». Mas esta luta, de facto, faz parte da herança do pecado, é uma consequência dele e, ao mesmo tempo, uma sua confirmação. Faz parte da experiência quotidiana do combate espiritual:

«Para o Apóstolo, não se trata de desprezar e condenar o corpo que, com a alma espiritual, constitui a natureza do homem e a sua personalidade de sujeito; pelo contrário, ele fala das obras, ou antes, das disposições estáveis, virtudes e vícios, moralmente boas ou más, que são o fruto da submissão (no primeiro caso) ou, pelo contrário, da resistência (no segundo caso) à ação salvadora do Espírito Santo. É por isso que o Apóstolo escreve: "Se vivemos pelo Espírito, caminhemos também segundo o espírito" (Gl 5, 25)» .

"Todo aquele que olha para uma mulher com desejo libidinoso já cometeu adultério com ela em seu coração" ( Mt 5,28).

O nono mandamento adverte contra a cobiça ou concupiscência carnal. A luta contra a cobiça carnal passa pela purificação do coração e a prática da temperança.

A pureza do coração nos permitirá ver a Deus e nos permite desde já ver todas as coisas segundo Deus. A purificação do coração exige a oração, a prática da castidade, a pureza da intenção e do olhar.

A pureza do coração exige o pudor que é paciência, modéstia e discrição. O pudor preserva a intimidade da pessoa.

Texto com Adaptações
Imagem: Google

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

8º Mandamento: Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo

8º NÃO LEVANTARÁS FALSO TESTEMUNHO 
CONTRA O TEU PRÓXIMO

«Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo» (Ex 20, 16).

«Foi dito aos antigos: "Não faltarás ao que tiveres jurado; hás-de cumprir 
.os teus juramentos para com o Senhor"» (Mt 5, 33).

O oitavo mandamento proíbe falsificar a verdade nas relações com outrem. Esta prescrição moral decorre da vocação do povo santo para ser testemunha do seu Deus, que é e que quer a verdade. As ofensas à verdade exprimem, por palavras ou por atos, a recusa em empenhar-se na retidão moral: são infidelidades graves para com Deus e, nesse sentido, minam os alicerces da Aliança.

Os discípulos de Cristo "revestiram-se do homem novo, criado segundo Deus na justiça e santidade da verdade" (Ef 4, 24).

A verdade ou veracidade é a virtude que consiste em mostra-se verdadeiro no agir e no falar, fugindo da duplicidade, da simulação e da hipocrisia. O cristão não deve "se envergonhar de dar testemunho de Nosso Senhor" (2Tm 1,8) em atos e palavras. O martírio é o supremo testemunho prestado à verdade da fé.

Este mandamento proíbe falsear a verdade nas relações com os outros. Essa proibição moral decorre da vocação do povo santo a ser testemunha de seu Deus, que é e quer a verdade.

O respeito à reputação e à honra das pessoas proíbe toda atitude ou palavra de maledicência ou calúnia. A mentira consiste em dizer o que é falso com a intenção de enganar o próximo, que tem direito à verdade.

Toda falta cometida contra a verdade exige reparação. A regra de ouro ajuda a discernir, nas situações concretas, se convém ou não revelar a verdade àquele que a pede.

"O sigilo sacramental é inviolável". Os segredos profissionais devem ser guardados. As confidências prejudiciais a outros não devem ser divulgadas. A sociedade tem direito a uma informação fundada na verdade, na liberdade e na justiça. E conveniente que se imponham moderação e disciplina no uso dos meios de comunicação social.

As artes, mas sobretudo a arte sacra, têm em vista, "por natureza, exprimir de alguma forma nas obras humanas a beleza infinita de Deus e procuram aumentar seu louvor e sua glória na medida em que não tiverem outro propósito senão o de contribuir poderosamente para encaminhar os corações humanos de Deus".

Texto com Adaptações
Imagem: Google

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Dia da Consciência Negra

Poema publicado no Site do Jornal Mundo Jovem
A partir deste poema, convidamos você para refletir conosco
 neste dia da Consciência Negra:
>> Ainda Existe Racismo no Brasil?<<

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Dia da Bandeira - Símbolo do País esquecido pela falta do “sentimento nacionalista”

Neste dia 19 de novembro comemora-se o Dia da Bandeira. Instituída em 1889, logo após a proclamação da República, a data enaltece o fim imperialismo e o início de um novo tempo no Brasil. Nascia o sentimento nacionalista, de construção da identidade do povo brasileiro.

As primeiras bandeiras foram visualizadas na antiguidade e eram utilizadas nos exércitos como meio de reconhecimento entre os diversos soldados. O símbolo individualizava os grupos e o espírito guerreiro dos combatentes se transformou naquilo que conhecemos hoje como patriotismo.

No entanto, essa característica identitária, tão forte e presente no passado, tem se perdido com o tempo e, segundo historiadores de São Sebastião do Paraíso, a maior parcela de culpa nesse processo é do próprio estado, que deixou de incentivar os ensinamentos morais e cívicos nas instituições públicas de ensino.

O historiador, professor Luiz Ferreira Calafiori lembra que, no passado, as pessoas conheciam os símbolos nacionais e aprendiam a respeitá-los desde os primeiros anos de idade. “Os estudantes viam a bandeira e cantavam os hinos Nacional, à Bandeira e da Independência com amor. Mas hoje, com a supressão dessa disciplina, abriu-se uma lacuna e os jovens passaram a desconhecer e não dão importância para nossos símbolos”, relata. 

Atual secretário municipal de Esportes, o professor Mariano Bícego conta que presenciou a falta do sentimento na nova geração durante viagem para a Letônia, quando acompanhava a seleção brasileira de basquete no campeonato mundial da categoria até 18 anos. “Quando se está em outro país e se usa um uniforme com a palavra “Brasil” para todo mundo ver, deve-se mostrar quem são os brasileiros. Estávamos em uma arena com 16 mil espectadores e eles, com o uniforme do País, colocaram os pés nas poltronas da frente quando se sentaram. Como chefe de delegação, chamei a atenção. Tive vergonha, mas os próprios auxiliares técnicos não estavam preocupados. Os atletas não são instruídos a valorizar o nome do Brasil”, recorda.

Assim como Luiz Ferreira, Mariano declara que a falta de disciplinas que promovam o espírito nacionalista é um agravante para o fato. Conforme explica, as aulas de OSPB (Organização Social e Política Brasileira), obrigatórias durante as décadas de 1970 e 1980, foram retiradas do calendário escolar com pretexto de terem sido criadas pelo regime militar. Porém, ele afirma que as coisas não aconteceram por esse motivo. “Depois do fim do regime, essas aulas serviram como espaço crítico para que os alunos discutissem questões políticas. O estado tirou do currículo porque não queria formar cidadãos questionadores, pensantes”. 

Além da ausência de uma disciplina especializada, Bícego acredita que o nacionalismo também está em extinção por causa do individualismo do brasileiro. “Se nós somos um bando de indivíduos preocupados com o bem-estar próprio e não coletivo, é lógico que as atitudes não serão muito positivas”. O secretário também lembra que a bandeira brasileira só é “lembrada” pelo povo a cada quatro anos, durante a Copa do Mundo. Mesmo assim, diz que o símbolo não é tratado com o devido respeito.  “A bandeira verde-amarela é vista mais como estandarte de um clube de futebol do que como algo que representa toda a nação. Hoje, infelizmente, as pessoas não sabem o que ela simboliza”.

Questionados sobre o futuro do sentimento nacionalista brasileiro, os historiadores opinam: “Tudo tem jeito na vida, mas isso leva tempo. Além disso, não vejo ninguém fazendo nada para mudar”, diz Bícego. Calafiori completa: “Fico triste com a forma com que nosso símbolo é tratado. Acho que os estudos devem voltar para que possamos reacender esse patriotismo que está morto dentro de nós. Na verdade, amamos o nosso país, mas falta vivenciar esse orgulho.

por Ralph Diniz.

Texto com Adaptação.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

7º Mandamento: Não Furtarás/Não Roubarás

7º Não Furtarás/Não Roubarás

"Não roubarás"(Dt 5,19). "Nem os ladrões, nem os avarentos... 
nem os injuriosos herdarão o Reino de Deus"(1Cor 6,10).

O sétimo mandamento proíbe tomar ou reter injustamente o bem do próximo e prejudicá-lo nos seus bens, seja como for. Prescreve a justiça e a caridade na gestão dos bens terrenos e do fruto do trabalho dos homens. Exige, em vista do bem comum, o respeito pelo destino universal dos bens e pelo direito à propriedade privada. A vida cristã esforça-se por ordenar para Deus e para a caridade fraterna os bens deste mundo.

O sétimo mandamento proíbe o roubo, isto é, a usurpação do bem alheio, contra a vontade razoável do seu proprietário. Não há roubo quando o consentimento se pode presumir ou a recusa é contrária à razão e ao destino universal dos bens. É o caso da necessidade urgente e evidente, em que o único meio de remediar necessidades imediatas e essenciais (alimento, abrigo, vestuário...) é dispor e usar dos bens alheios (151).

Todo o processo de se apoderar e de reter injustamente o bem alheio, mesmo que não esteja em desacordo com as disposições da lei civil, é contrário ao sétimo mandamento. Assim, reter deliberadamente bens emprestados ou objetos perdidos; cometer fraude no comércio (152); pagar salários injustos (153); subir os preços especulando com a ignorância ou a necessidade dos outros (154).

A Igreja emite um juízo em matéria econômica e social, quando os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigem. Preocupa-se com o bem comum temporal dos homens em razão de sua ordenação ao Sumo Bem, no fim último.

O próprio homem é o autor, o centro e o fim de toda a vida econômica e social. O ponto decisivo da questão social é que os bens criados por Deus para todos de fato cheguem a todos, conforme a justiça e com a ajuda da caridade.

O sétimo mandamento exige o respeito pela integridade da criação. Os animais, tal como as plantas e os seres inanimados, são naturalmente destinados ao bem comum da humanidade, passada, presente e futura(155) O uso dos recursos minerais, vegetais e animais do universo não pode ser desvinculado do respeito pelas exigências morais. O domínio concedido pelo Criador ao homem sobre os seres inanimados e os outros seres vivos, não é absoluto, mas regulado pela preocupação da qualidade de vida do próximo, inclusive das gerações futuras; exige um respeito religioso pela integridade da criação (156).

O valor primordial do trabalho despende do próprio homem, que é seu autor e destinatário. Através de seu trabalho, o homem participa da obra da criação. Unido a Cristo, o trabalho pode ser redentor. O verdadeiro desenvolvimento abrange o homem inteiro. O que importa é fazer crescer a capacidade de cada pessoa de responder à sua vocação, portanto ao chamamento de Deus.

A esmola dada aos pobres é um testemunho de caridade fraterna e é também uma prática de justiça que agrada a Deus. Na multidão de seres humanos sem pão, sem teto, sem terra, como não reconhecer Lázaro, mendigo faminto da parábola? Como não ouvir Jesus que diz: "Foi a mim que o deixastes de fazer" (Mt 25,45).


Texto com Adaptações.
Imagem: Google

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Música: Um Patrimônio sagrado

Neste 16 de novembro é comemorado a semana da música, e nós do Blog Oblatas vamos compartilhar com você um texto escrito por Zé Vicente para o Jornal Mundo Jovem.

Música: Um patrimônio sagrado

O sacerdote, primo do meu avô paterno, nutria uma paixão ardente pela música e pela natureza. Seu jardim e os altares que preparava despertavam a admiração de todos. Naquele recanto do sertão cearense, pudemos conhecer e ouvir o coro das mulheres cantando, acompanhando por ele mesmo, que tocava o velho harmônio. Nos momentos não litúrgicos, havia a sanfona, o violão, o realejo de boca. E a boa música popular entoada com vibração pelas sobrinhas e pelos amigos do querido Padre Francisco. Havia também as Desobrigas e Santas Missões dos frades, entre eles o mais conhecido, Frei Damião, que com sua campa e voz rouca, saía pelas cidades e povoados, com seus benditos exortativos.

A música nas várias tradições
Hoje estou convencido de que a minha vocação para ser poeta-cantos tem nessas memórias uma justa razão e contemplo o papel inquestionável da música na experiência mística e espiritual dos povos, desde os tempos mais antigos. Lembro do testemunho de um  índio que dizia: "A música é a alma que se põe de pé e dança diante do outro". Na espiritualidade , a música nos move no mesmo sentido: a dançar com o divino, no balé clássico e popular, na ciranda infinita ou em qualquer outro ritmo e estilo fazemos coro e bailamos com o Altíssimo e Grande Amor, que é a fonte original de toda arte.

Numa tribo africana ou brasileira, uma mão negra que toca o tambor ou os lábios  de um índio que sopra a flauta de bambu, num dos diversos rituais próprios para cada ciclo da vida de cada povo, em qualquer lugar da terra, os corpos dançam e os espíritos sensíveis põem-se a bailar, sempre em comunidade com sua divindade.

Desde os tempos originais das religiões judaica e cristã, a Bíblia nos relata em muitas passagens sobre o papel de cantos, que foram verdadeiras trilhas sonoras de grandes momentos que marcaram mudanças de época. No Êxodo, a experiência fundante, após a vitória dos hebreus sobre o exercito do faraó egípcio, no Mar Vermelho (Ex 15); na crise da passagem do sistema tribal para a monarquia, tempo árido, infértil de novidade, tão  bem expresso no testemunho e no canto de Ana, mãe de Samuel (1 Sm, 2).  A comunidade cristã, segundo o evangelista Lucas, nos seus primeiros passos, põe nos lábios de Maria, mãe de Jesus, um dos mais belos e proféticos hinos, sobre as maravilhas de Deus na vida dos pobres e humildes (Lc 1,46-56).

Na história do Cristianismo, nas igrejas tanto católica quanto protestantes e evangélicas, a música está constantemente presente: na liturgia , nos cultos, na catequese, nas pastorais... Uma das mais belas expressões de música eclesial recebe o nome em homenagem ao papa que a oficializou como música sacra  católica, o Canto Gregoriano. Nas igrejas evangélicas, a música recebe o status de ministério, a serviço da vida eclesial. A Renovação Carismática Católica  seguiu esse exemplo, promovendo o surgimento de inúmeras  bandas e grupos musicais.

A grande rede das Comunidades Eclesiais de Base possibilitou o nascimento de muitos artistas, principalmente no campo da música, encarando um belo desafio, que é o trazer para as celebrações populares, encontros, romarias etc. a linguagem, os instrumentos e os ritmos e sotaques das populações de cada região.

Sem esquecer os desafios
Vale lembrar que nos encontramos diante de uma grande movimentação de mercado no campo da música na sua relação com a religião. É nominada como Gospel, Evangélica, Sacra, Religiosa e outros nomes. O que importa para muitos produtores e empresários é ocupar uma cota maior de espaço nas grandes mídias e conquistar  consumidores em larga escala, não importando tanto a qualidade da mensagem e a ética na missão artística que o Evangelho exige.

Hoje temos vários exemplos de padres, pastores ou leigos e leigas, representantes de várias correntes musicais, das várias igrejas, que estão aí pregando, cantando, anunciando suas produções, e até, cumprindo certas regras que seus empresários exigem, em nome de Jesus e da evangelização.

O cantor chileno Victor Jara cantava nos idos dos anos 1970, quando as ditaduras militares dominavam vários países da America Latina: "Eu não canto por cantar, nem por ter boa voz, eu canto porque a guitarra tem sentido e tem razão".

Quando esse canto é em nome de Deus, a nossa responsabilidade cresce ainda mais, para não cairmos na tentação de confundir o sagrado da música na relação com o divino com o lucro a qualquer custo, que as leis sem limites do ídolo mercado nos impõem.
Texto: Zé Vicente
(poeta, cantor, com mais de 15 CD's e um livro de poemas,
produzidos pela Paulinas COMEP, 
e outros de modo autônomo. Seu novo trabalho 
é o CD intitulado "Zé Vicente da Esperança".)